domingo, 21 de agosto de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA LVII

Vagner Lucio Vitorino da Silva, 19/08/1970, Guarda de Segurança


Vagner Lúcio ingressara na empresa de segurança Wacknhut do Brasil no dia 01/07/1970 sem desconfiar que aquele seria o seu último emprego. Logo no seu primeiro dia de trabalho ele prendera um menor de idade que havia roubado um cheque e tentava descontá-lo na Agência Olaria do Banco Nacional de Minas Gerais.
A Wacknhut do Brasil era uma subsidiária da matriz norte-americana que era responsável pela segurança do Cabo Kennedy, que se tornara mundialmente famoso por ter participado do Projeto Apolo, que levara o homem à Lua em 1969. Vagner Lúcio estava animado, mas, não era páreo para os terroristas que atuavam no Brasil.
No dia 19/08/1970 Vagner permanecia em serviço na mesma agência onde havia prendido o menor (Rua Leopoldina Rego, 34, Olaria, Rio de Janeiro). Pouco antes do meio dia, três veículos Volkswagen (um azul, um cinza e um verde de placas GB 20-25-80) se aproximaram da agência do Banco Nacional de Minas Gerais. No interior dos veículos estavam seis homens e quatro mulheres, entre elas uma loira. A loira e um homem ficaram no interior de um dos carros que ficou estacionado na Rua Pereira Landim, voltado para a Avenida Brasil. Outro homem, armado com uma metralhadora se postou na esquina da Rua Pereira Landim com Leopoldina Rego.
Aquele que parecia ser o chefe do bando foi para a porta do banco. Vagner tentou barrar a ação dos terroristas, mas foi baleado e morreu no local. Porém, os tiros alertaram o tesoureiro da agência que teve a presença de espírito de trancar o cofre.
Com a morte do guarda Vagner Vitorino e o cofre trancado, os terroristas acabaram fugindo da agência levando consigo apenas o dinheiro que estava nos caixas, além da arma que era usada por Vagner.
Vagner Lucio Vitorino da Silva tinha 23 anos de idade e era casado com D. Rosamélia Melo. Tinha uma filhinha de apenas 14 meses (Márcia Odete).
Autoria: Grupo Tático Armado da organização terrorista MR-8. Foram identificados: Sônia Maria Ferreira Lima (autora dos disparos que mataram Vagner), Aldo Sá Brito de Souza Neto, Helcio Pereira Fortes, Otoni Guimarães Fernandes Junior.
Fontes: Jornal do Brasil, 00116 de 20/08/1970, 1º caderno, página 20; edição 00117 de 21/08/1970, 1º caderno, página 14; edição 00199 de 25/11/1970, 1º caderno, página 4; Correio da Manhã, edição A23726 de 20/08/1970, 1º caderno, página 12; Diário de Notícias, edição 14665 de 20/08/1970, 1ª seção, página 11.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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