sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Os mortos que o Brasil não chora LXI

Walder Xavier de Lima, 27/10/1970, Sargento da Aeronáutica

Theodomiro Romeiro dos Santos, apesar de ter somente 19 anos, era um terrorista tarimbado. Pertencia aos quadros do PCBR – Partido Comunista Brasileiro Revolucionário e fora um dos autores do assalto ao Banco da Bahia, ocorrido em Salvador no início do ano 1970.
No dia 21/10/1970, depois de exaustiva investigação, finalmente agentes do DOI-CODI da Bahia conseguiram capturar Theodomiro, Paulo Pontes da Silva e um terceiro homem que posteriormente foi identificado como Artur, todos integrantes do PCBR. Durante a escolta dos três presos, na altura do Dique do Tororó, na capital baiana, Artur conseguiu fugir. Theodomiro, aproveitando-se da confusão e usando um revólver calibre .38 que trazia escondido, disparou contra a sua escolta, ferindo dois policiais e atingindo com um tiro na nuca o Sargento Walder Xavier da Silva, que morreu na hora.
Ao ser interrogado pelo Juiz Auditor Militar Amilcar Cardoso de Menezes Filho, Theodomiro confessou o crime e disse que matou o Sargento Walder apenas para tentar fugir. Posteriormente foi condenado à morte, com base na Lei de Segurança Nacional
, mas, sua pena foi comutada para prisão perpétua. Em agosto de 1979 Theodomiro conseguiu fugir da Penitenciária Lemes de Brito, em Salvador - BA e os jornais da época divulgaram que ele fugiu para Lisboa, auxiliado por antigos companheiros. Morou um período na França e retornou ao Brasil em 1985, tendo se graduado em Direito e se tornado Juiz do Trabalho em Pernambuco.
Walder Xavier de Lima era Sargento da Aeronáutica e havia sido cedido para o DOI-CODI de Salvador – BA. Era casado com Geralda Sandré Xavier Os jornais pesquisados na época não trouxeram maiores informações sobre a vítima.
Autoria: Theodomiro Romeiro dos Santos da Organização PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário).

Fontes: Diário de Natal, edição 09032 de 19/01/1971, página 7; Tribuna da Imprensa, edição 06427 de 15/06/1971, matéria de capa; edição 09030 de 14/15 de abril de 1979, página 2; edição 09140 de 20/08/1979, página 3; edição 09141 de 21/08/1979, página 3.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook.

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