segunda-feira, 29 de agosto de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA LXII - LXIII - LXIV

José Marques do Nascimento, 10/11/1970, motorista de taxi
Garibaldo de Queiroz, 10/11/1970, Soldado PMSP
José Aleixo Nunes, --/11/1970, Soldado PMSP
                   Carlos Lamarca em treinamento com sua companheira Iara Iavelberg

Um grupo de cinco terroristas integrantes da VPR – Vanguarda Popular Revolucionária estava no dia 10/11/1970, por volta das 15hs30min, nas imediações do Grupo Escolar de Vila Prudente (São Paulo – Capital), localizado na Rua Capitão Pacheco Chaves, fazendo panfletagem. Populares entraram em contato com os soldados Garibaldo de Queiroz e José Aleixo Nunes, da Polícia Militar de São Paulo, narrando a panfletagem. Os dois soldados eram encarregados da segurança nas imediações daquele estabelecimento escolar e se dirigiram imediatamente ao local.
Quando lá chegaram, viram o grupo de terroristas dentro de um Fusca (placas 18-50-62) jogando os panfletos na rua. Nesse momento, passava pelo local o Taxi HE 03-56 que levava como passageiro o menino Velocindo Guimarães Filho (12 anos). Os policiais requisitaram o veículo para efetuar a perseguição dos terroristas. Velocindo não saiu do taxi e permaneceu no banco dianteiro, enquanto os policiais se acomodavam no banco de trás. A perseguição teve início, mas não durou mais que poucos minutos. O taxi alcançou o carro dos terroristas na altura do número 1300 da Rua Ibitirama. Três dos terroristas – uma mulher loura, um japonês gordo e um homem moreno – desceram do carro de metralhadoras em punho e abriram fogo contra o Taxi. O soldado Garibaldo tombou morto na hora e o Soldado José Aleixo ficou gravemente ferido. O motorista do Taxi, ao ver os dois soldados ensangüentados, saiu do seu veículo correndo dos disparos, mas, não foi longe: morreu crivado de balas pelas costas. Não foi possível identificar a data da morte do Soldado José Aleixo. Nas listas de mortos pelo terrorismo a data de sua morte consta como sendo no dia do tiroteio (10/11/1970), mas, os jornais pesquisados não confirmaram a data de sua morte.

O menor Velocindo contou ainda que quando iniciou a perseguição ele se agachou no chão do carro, conforme seu pai havia lhe ensinado. Ao ver os policiais baleados ele abriu a porta do veículo e fugiu para uma oficina mecânica. Disse ainda que a mulher loura disparou contra ele, mas, foi salvo pelo dono da oficina que o levou para dentro e fechou as portas do estabelecimento rapidamente.
José Marques do Nascimento era motorista de Taxi. Era casado e tinha cinco filhos menores de idade. Foi sepultado no Cemitério da Cachoeirinha.
Garibaldo de Queiroz era Soldado da Polícia Militar de São Paulo. Tinha 25 anos de idade. Foi sepultado com honras militares no Cemitério do Araçá, em São Paulo – Capital, ao som do Hino da Polícia Militar de São Paulo, executado pela Banda do Regimento 9 de julho.
Yoshitame Fujimore, terrorista assassino.
José Aleixo Nunes era Soldado da Polícia Militar de São Paulo. Os jornais da época não divulgaram maiores informações sobre ele.
Autoria: integrantes da VPR – Vanguarda Popular Revolucionária. Jornais da época informaram que o autor dos disparos fatais foi Yoshitame Fugimore, que era braço direito do ex-capitão Carlos Lamarca.

Fontes: Jornal do Brasil, edição 00187 de 11/11/1970, 1º caderno, página 7; Diário da Noite, edição 13786 de 11/11/1970, matéria de capa.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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