segunda-feira, 8 de agosto de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA XXXIX

Kurt Kriegel, 22/09/1969, Comerciante
Kurt Kriegel era alemão e chegara ao Brasil ainda bem jovem em meados da década de 1940. Como tantos outros imigrantes, sua família buscava fugir da guerra na Europa e buscar novas oportunidades no continente americano. Na juventude Kurt dedicou-se à pintura artística, produzindo quadros e pintura de interiores de Igrejas, como a de São José em Porto Alegre. Em 1950 comprou um bar na capital gaúcha (Rua Dr. Timóteo, 863) e deu nome de Rembrandt, o famoso pintor holandês. Seu bar era igualmente famoso e bem frequentado.
Na madrugada de 22/09/1969 Kurt estava trabalhando normalmente no seu bar. Havia no local, além do proprietário, dois garçons, uma cozinheira e oito clientes. Kurt estava em um cômodo nos fundos do bar quando dois homens mascarados entraram no local e anunciaram o assalto. Do lado de fora do bar, uma mulher dava cobertura ao assalto. Segundo a família de Kurt, nesse exato momento, Kurt abriu a porta do cômodo onde estava para retornar ao salão do bar; isso alarmou um dos terroristas, que descarregou sua arma contra o imigrante: três balas acertaram Kurt no peito e outras três se alojaram nas paredes do bar. Kurt morreu na hora. Entretanto, o Diário de Notícias divulgou que Kurt teria tentado reagir ao assalto.
Os terroristas fugiram do local em um Volkswagen vermelho, sem placas. Não conseguiram levar qualquer quantia do bar ou das pessoas que lá estavam durante o assalto.
Quase uma década depois a família de Kurt Kriegel ainda não se conformava com a morte do patriarca. Sua neta, Aurea Altenhofen, criticou a atuação da polícia na época dos fatos, que não investigou com profundidade o caso. Teria sido a própria família que teria chegado aos culpados, através de investigação particular: todos eram integrantes da VAR – Palmares, sendo que o grupo era formado por um músico, outro homem e uma mulher chamada Maria Tereza dos Santos, que segundo Áurea, na época da entrevista (1978) já teria morrido no exterior.
Kurt Kriegel tinha 62 anos, era imigrante alemão e morava em Porto Alegre desde a década de 1940. Era casado com Dona Ana e pai de Maria Hilleschin. Morava com sua família na Rua Couto Magalhães, 1195, Porto Alegre - RS.
Autoria: VAR-Palmares, sendo que uma das participantes da ação foi identificada como Maria Tereza dos Santos, pelos familiares da vítima.
 Fontes: Jornal do Brasil, edição 00215 de 14/12/1970, 1º caderno, página 46 e edição 00232 de 26/11/1978, 1º caderno, página 29; Diário de Notícias, edição 00173 de 23/09/1969, 1º caderno, página 7.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos)

Robson Merola de Campos

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