segunda-feira, 1 de agosto de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA XXXVII E XXXVIII

José Getúlio Borba, --/09/1969, Comerciário e João Guilherme de Brito, 03/09/1969, Soldado da Força Pública de São Paulo
José Wilson Lessa Sabag, terrorista, ladrão e assassino. Morto em São Paulo em 03 de setembro de 1969

No início do mês de agosto de 1969 um grupo de cinco homens armados roubou dinheiro, cheques e um mimeógrafo do Curso Objetivo em São Paulo – SP. O diretor da escola alertou os bancos para tentar evitar que os bandidos descontassem os cheques roubados. No princípio de setembro, três homens estiveram na Loja “Luiz Fernando” localizada na Rua São Luiz esquina com Rua Ipiranga, onde compraram um gravador e pagaram com um cheque. Tendo em vista que era feriado bancário, um dos gerentes da loja, pediu que os compradores retornassem no dia seguinte para retirarem a mercadoria, após o cheque ser descontado. No dia seguinte, o Banco ao receber o cheque verificou que ele era um daqueles roubados no Curso Objetivo. A polícia foi alertada e montou um esquema de segurança nas proximidades da Loja “Luiz Fernando” para prender os ladrões quando fossem buscar o gravador.
Quando os bandidos chegaram na loja, um dos funcionários avisou o Guarda Civil João Ivediacoken que tentou interceptar os bandidos. O policial foi recebido a bala, sendo ferido por um disparo. O funcionário José Getúlio Barbosa também foi baleado e veio a óbito alguns dias depois.
Os bandidos conseguiram fugir do local em um Fusca (placa 17-82-56) e na fuga balearam outro policial. Fugiram para um apartamento na Rua Epitácio Pessoa esquina com Rua Rego de Freitas, perto do 6º Distrito Naval. O que aconteceu a seguir foi classificado pelos jornais da época como uma verdadeira batalha campal. O apartamento era um “aparelho” terrorista, e os seus ocupantes, fortemente armados, passaram a atirar com metralhadoras e revolveres contra os policiais que chegavam ao local. O Soldado João Guilherme Brito tombou mortalmente ferido com um tiro no abdômen.
Diversos terroristas foram presos e um deles morreu em virtude do tiroteio.
José Getúlio Borba (Barbosa, segundo alguns periódicos) era comerciário e trabalhava nas Lojas “Luiz Fernando”. Faleceu alguns dias depois em virtude dos ferimentos recebidos. Os jornais da época que foram pesquisados não divulgaram outras informações sobre a vítima.
João Guilherme de Brito era Soldado da Força Pública de São Paulo (atual Polícia Militar). Tinha 33 anos de idade, era casado e tinha um filho (11 anos) chamado Claudio de Brito. Seu tempo livre era dedicado integralmente à família e especialmente ao filho, que não se afastou nem um momento do corpo do pai durante o velório com honras militares no Quartel do Regimento 9 de Julho e sepultamento no Cemitério de Tremembé.
Autoria: Os terroristas da Ação Libertadora Nacional (ALN) Antenor Meyer, José Wilson Lessa Sabag (autor dos disparos que matou João Guilherme de Brito), Francisco José de Oliveira e Maria Augusta Tomaz.
Fontes: Diário de Notícias, edição 14363 de 05/09/1969, 1ª seção, página 3; Diário da Noite, edição 13717 de 05/09/1969, 1º caderno, página 4; Jornal do Brasil, edição 00233 de 27/11/1973, 1º caderno, página 16.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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