quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Crivella fez panfleto rejeitado pela Igreja

Candidato a prefeito afirma ter distribuído fotos ao lado de dom Orani; divulgação é rejeitada pela Igreja.




A campanha do bispo licenciado da Igreja Universal, Marcelo Crivella (PRB), informou que foi responsável pela produção de panfletos com a imagem do senador ao lado do cardeal arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta. O material, distribuído em portas de igrejas como a Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, e na entrada de estações do metrô, foi rechaçado pela Arquidiocese do Rio por considerar que ele leva os eleitores a concluírem que dom Orani apoia a campanha de Crivella. A foto foi feita no último dia 24, quando o candidato do PRB se reuniu com o arcebispo para apresentar seu plano de governo.

Ao tomar conhecimento do fato, a arquidiocese informou nesta quarta-feira que dom Orani "não autorizou o uso da imagem do registro do encontro para induzir um certo apoio político em panfletos e/ou material de propaganda."



Na terça-feira, o bispo auxiliar da Arquidiocese, dom Antonio Augusto, organizou uma coletiva de imprensa após pedidos de católicos que queriam esclarecimentos sobre a exploração de fotos de candidatos com o dom Orani.
— Todos os candidatos recebidos por dom Orani vieram aqui, fotografaram, filmaram e tiveram oportunidade de conversar com ele. Se esse candidato (Crivella) colocou essa fotografia em um panfleto, e foi distribuído, ele foi feito sem autorização expressa do nosso cardeal — disse Dom Antonio na terça-feira.

Dom Orani já recebeu oito dos 11 candidatos à prefeitura do Rio para conversar sobre propostas para a cidade. Ontem, o cardeal recebeu a visita da candidata Carmen Migueles, do Partido Novo.

O bispo auxiliar também destacou a figura de dom Orani "como um pastor que acolhe a todos que desejam estar com ele", inclusive candidatos à prefeitura, que sinalizam a vontade de apresentar ao arcebispo da cidade suas propostas de governo.

Assessor de imprensa da Arquidiocese do Rio, Adionel Carlos da Cunha comentou em sua página no Facebook que a propaganda de Crivella foi feita sem o consentimento de dom Orani. "O cardeal não apoia nenhum candidato à prefeitura ou à Câmara Municipal. Essa propaganda foi feita sem autorização e, se fosse pedida, o cardeal não autorizaria", escreveu.

Em nota, a campanha de Crivella minimizou o episódio. Disse que o senador tem profundo carinho e respeito por Dom Orani. A campanha explicou a distribuição do panfleto dizendo que achou por bem noticiar a todos os cidadãos cariocas os compromissos que entregou ao arcebispo.
"O candidato informou que reitera seus compromissos com os valores da família, o seu respeito à liberdade religiosa e a defesa da vida, alguns dos pontos que mantém em comum com o Arcebispo do Rio de Janeiro. Em tempo, o material com os compromissos assumidos no encontro do candidato a prefeito com o Arcebispo do Rio respeitou por completo a Lei das Eleições e a Resolução do TSE n. 23.457/2015 e teve como único objetivo dar transparência à população sobre programas assumidos publicamente junto ao Cardeal do Rio de Janeiro, sem a vedação do mesmo quanto à divulgação de tais compromissos".

Na terça-feira, por telefone, a campanha informou que o panfleto não havia sido distribuído pela sua equipe. O jornal “Folha de S. Paulo” divulgou a mesma informação. No entanto, nesta quarta-feira, a assessoria disse que se referia apenas a um exemplar que circulava entre jornalistas durante a coletiva. O GLOBO então pediu que a campanha enviasse a cópia original do panfleto distribuído nas ruas, mas até o fechamento desta edição não recebeu o exemplar.

A imagem em questão não tinha o número do CNPJ da gráfica que imprimiu os panfletos. A reportagem solicitou na noite desta quarta-feira os folhetos à campanha com o devido cadastro da empresa na Receita Federal, mas foi informada que o envio não seria possível.
Com rejeição menor do que nas últimas eleições, Crivella tem trabalhado para desconstruir a imagem de candidato da Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, seu tio. Na última pesquisa Ibope, ele aparece com 31% das intenções de voto, com crescimento de quatro pontos em relação à pesquisa anterior. Já a sua rejeição despencou de 35% para 24%.

Nas ruas, o candidato do PRB se esforça para estar ao lado de pessoas de diferentes crenças. No início do mês, apareceu no "RJTV", da TV Globo, acompanhado do pai de santo Douglas Penha, em Madureira. O apoio, no entanto, foi rechaçado por treze entidades que representam religiões de matrizes africanas, conforme mostrou ontem o jornal "Extra".

Crivella também tem frequentado restaurantes da Zona Sul e se aproximado de personalidades da sociedade carioca para alavancar sua candidatura na região onde tradicionalmente sofre resistência. Na semana passada, almoçou com Ricardo Amaral, empresário da noite carioca, e Boni, ex-diretor da TV Globo. No mês passado, conversou com o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto e a atriz Rosamaria Murtinho.

O senador também se encontrou com representantes do movimento LGBT e tirou fotos abraçado com Alberto Araujo Duarte, o Beto Cabeleireiro, um dos responsáveis pela Parada Gay da Vila do João.

O GLOBO




Um comentário:

  1. Engraçado que eu não vejo matérias falando sobre os outros candidatos relacionando-os à religião. Esqueçam isso e foquem na vida política do Crivella. Esse ano meu voto é 10!

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