quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Dos alimentos comprados pela PM, só chega ao policial o pão mofado.

      Pão e embutido mofados servidos aos policiais do CFAP
Três tipos diferentes de queijo: minas, prato e muçarela, além de requeijão, manteiga com sal, manteiga sem sal, leite, geléia, doce de leite e gelatina de framboesa, morango e cereja. Quem vê a aquisição de gêneros alimentícios da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro não entende por que na maioria dos batalhões o café da manhã é composto no máximo por pão com margarina e café. Também é difícil compreender por que em algumas unidades os PMs ficam obrigados a comer somente arroz, feijão e salsicha durante semanas.

A lista de compras foi publicada nas páginas 35 e 36 do Boletim da Polícia Militar n 173, de 19 de setembro de 2016, e sequer traz a salsicha entre os produtos encomendados – apenas filé de peito e coxa e sobrecoxa de frango. Do primeiro, 426.062 peças a R$ 9,54, totalizando pouco mais de R$ 4 milhões e, do segundo, 271.896 peças a R$ 6,10, totalizando pouco mais de R$ 1 milhão e meio.

Pela aquisição de 42 itens, o gasto é de mais de R$ 17 milhões em um contrato assinado no último dia 17 de agosto e com validade de um ano para abastecer 48 batalhões – sendo 41 operacionais ordinários e 7 unidades operacionais especiais -, além de três unidades de saúde – como o Hospital Central da Polícia Militar (HCPM) e o Hospital da Polícia Militar em Niterói (HCPM-Nit) -, do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap) e do Quartel General (QG) da corporação. 

“Enquanto eles gastam mais de R$ 17 milhões comprando itens que nunca comemos e nem vemos no batalhão, quem é desaranchado recebe R$ 162 por mês para trabalhar uma média de dez serviços. Como tomar café, almoçar e lanchar com esse valor durante todos esses plantões? Acabar com o rancho e fornecer vale refeição para os policiais com certeza nos deixaria mais satisfeitos e significaria um gasto muito menor”, destacou um soldado.

Alguns produtos despertam a atenção pela quantidade e valor. No total, foram compradas 2.371 caixas de ovos (cada uma com 30 dúzias, totalizando 360 ovos por caixa). Ou seja: 853.560 ovos – cerca de 16 mil ovos por batalhão, ou mais de mil ovos por mês. Se o alimento estiver presente no cardápio de segunda-feira a domingo, serão 33 ovos por dia.

O valor da caixa com 30 dúzias é de R$ 201,70 – sendo que qualquer consumidor consegue comprar a dúzia de ovos no varejo por R$ 5 em média – o que daria R$ 150. O sachê de 15g de geléia foi comprado a R$ 0,71 – enquanto o preço em um estabelecimento comercial aberto ao público comum é R$ 0,20. Além do valor acima do preço médio praticado no mercado, a quantidade causa espanto. No total, o contrato estipula a compra de 194.838 sachês de geléia: mais de 35 mil por batalhão, ou 3 mil por mês.

“Eu tenho 15 anos de PM e jamais comi geléia no batalhão”, denuncia um sargento que também questiona outros produtos da lista de compras.
“Gelatina, polenguinho, requeijão, queijo, doce de leite, goiabada. Quero saber para onde vai, porque nos batalhões onde já fui lotado, nunca vi”, disse.

Um comentário:

  1. O Estado infelizmente tem gente assim!
    Fato lamentável.

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