quarta-feira, 5 de outubro de 2016

MILITARES das Forças Armadas e eleições municipais. O que aconteceu?

Faltando 3 dias para as eleições o presidente do prestigioso Clube Militar- que congrega centenas de oficiais superiores e generais – grava vídeo solicitando os votos da categoria para um Suboficial da Aeronáutica do Rio de Janeiro. Um general de divisão, recém transferido para a reserva também indicou o mesmo militar-candidato como melhor opção no Rio. O referido suboficial é um dos principais articuladores de partido que congrega centenas de militares na cidade.
Na semana anterior um oficial superior e muitos sargentos compartilharam mensagem em redes sociais pedindo votos para a esposa de um sargento em cidade de Minas Gerais. A candidata – mesmo sem nunca ter ocupado cargo político – é considerada uma das principais articuladoras de propostas importantes para a categoria e do próprio interesse de alguns parlamentares em incluir os militares federais em suas proposições.
Diante desses fatos alguns acreditavam que a conscientização em torno da necessidade de se eleger candidatos da família militar havia crescido, que a família militar estava realmente unida e que finalmente seria iniciada a construção dos pilares para a formação da tão necessária bancada militar.
Acreditava-se que as cidades que tinham mais possibilidade de se eleger militares eram Juiz de Fora, Rio de Janeiro e alguns municípios da Baixada Fluminense no Rio, como Duque de Caxias, Nova Iguaçú e Queimados.
Além da própria família militar havia a possibilidade de se angariar muitos votos de civis, já que nota-se uma inflexão no posicionamento político da sociedade que assume certa postura contra políticos profissionais, o que os militares definitivamente nunca foram.

Espiando os amigos militares estaduais 


Nas eleições municipais só no PARANÁ os policiais militares conseguiram eleger 28 representantes, entre prefeitos e vereadores. Com toda certeza serão a base para a formação de uma grande bancada militar na instância estadual já nas próximas eleições. É na instância estadual que policiais militares tem como lutar em favor da modernização das normas e por melhores condições de trabalho para a categoria. Em outros estados, como Goiás e São Paulo, muitos policiais também foram eleitos.

Retornando à conversa 
Entre muitas diferenças importantes entre militares estaduais e federais percebe-se que os segundos têm associações bastante ativas, que dão cobertura e incentivam muito o engajamento em torno dos candidatos. Nas forças armadas, principalmente em escalões superiores, alguns ainda acreditam que os comandantes  – que ocupam cargos políticos – devem possuir a exclusividade de representar os comandados e assim lutar por melhorias na carreira, salários etc.

No Paraná, duas semanas antes das eleições, uma associação de policiais publicou e publicou em seu jornal o nome, número e proposta de todos os candidatos ligados aos militares da polícia paranaense. A família militar pode ali obter as informações necessárias para conhecer e escolher em nível municipal seus representantes. A estratégia foi bem sucedida, como vimos acima.

Estima-se que os MILITARES das Forças Armadas só na região metropolitana do Rio de Janeiro, dada a sua distribuição, poderiam, junto com suas famílias, eleger mais de 20 vereadores. Contudo, os resultados foram ínfimos e muito aquém do que se esperava. Em cidades como Duque de Caxias e São Gonçalo, com dezenas de milhares de membros da família militar, houve candidatos que receberam menos de 100 votos, e nenhum deles foi eleito.
Na capital do Rio de Janeiro ocorreu a mesma coisa, a família militar é gigantesca, mas os votos não foram direcionados para candidatos militares, os poucos que foram se distribuíram entre vários candidatos.

Opiniões encontradas nas redes sociais:
" … é muito triste o caldeirão dos militares, uma categoria muito desunida mesmo, não enxerga meio palmo a sua frente. Como uma categoria com milhares de militares na ativa, reserva, seus dependentes e pensionistas não conseguem se organizar e eleger seus representantes?"
"… no RIO o problema é essa gente que só vota em BOLSONARO, sai ano e entra ano, seja filho ou seja pai, os caras ficam com um monte de votos e nada fazem pelos militares em lugar nenhum, e nos outros candidatos, seja sargento ou comandante, ninguém vota "
"Só quero ver se Bolsonaro vai deixar outros candidatos militares concorrer pelo PSC daqui a dois anos… Ele vai monopolizar o partido pros seus filhos… O problema do militar carioca é justamente o que se acredita ser a solução, Jair Bolsonaro"

Lideranças do Rio já articulam encontros para discutir a questão e traçar estratégias para os próximos dois anos.
Sociedade Militar


De que adianta um Bolsonaro Presidente, Governador ou Prefeito sem uma bancada que lhe dê governabilidade? Os Bolsonaros precisam repensar seus futuros políticos, nesta batida o casco fura e seu "navio", "avião" ou "tanque" vai a pique.

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