domingo, 9 de outubro de 2016

Em dois dias, três policiais militares assassinados.

Na noite passada na Cidade de Deus (comunidade “pacificada” da Cidade do Rio de Janeiro), área do 18º BPM, unidade em que trabalhei, mais um policial militar foi morto.

   André de Jesus Silva, policial militar assassinado na Cidade de Deus

Conheci o garoto, pacato demais. Nas poucas vezes que o vi abrir a boca foi pra dizer “sim senhor”.
Não questionava nada. Era uma ordem? Ele ia e cumpria.

Morava no interior do Estado, lá ele cuidava de sua casa, de seu filho pequeno e de sua esposa.
Trabalhava 24 horas e folgava 72. Parece muito, né? Mas dada a distancia de sua residência, perdia quase a metade desse tempo no deslocamento casa/trabalho, ao seu custo.
Isso quando não tinha que voltar antes ou nem ir para casa, porque estava escalado de serviço extra.
Sacrificante, mas foi o jeito que ele encontrou para sustentar sua família com o mínimo de dignidade.

Afinal, percebeu que sem esse sacrifício, não teria oportunidade, seria um injustiçado e se negou aceitar ser “vitima da sociedade”. Acabou sendo!
Decidiu fazer o concurso da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, que honra. Passou e isso o fez acreditar. Acreditava que com o tempo ascenderia na hierarquia e chegaria mais longe.

Acreditava que cedo ou tarde o Estado se lembraria que prometeu a ele uma premiação por ter ajudado a diminuir o índice de criminalidade na área onde atuava. Acreditava que semana que vem receberia os outros 30% que faltou em seu salário.
Acreditava que o governador pagaria os seis meses de serviços extras atrasados que devia a ele.
Acreditava que naquela noite ia cumprir sua missão e, quando amanhecesse, iria para casa dar um beijo no seu filho, na sua esposa e descansaria um pouco antes do jantar.
Nenhuma dessas crenças se concretizou. Sabe por quê?
Porque um infeliz qualquer resolveu se achar injustiçado, sem oportunidade, decidiu pegar em arma e ser traficante de drogas. E com isso acredita estar impune.

                                                   O assassino
Acreditava que conseguiria dinheiro fácil. Livre de impostos e moral na favela. Acreditava que não seria preso, porque a justiça o vê como “vitima do sistema”.
Acreditava que naquela noite mataria um “verme”, denominação com que se referem aos policiais. E acreditava que domingo, hoje, comemoraria esse assassinato num animado baile funk da comunidade regado a muita droga e sacanagem com as “dimenó”. Baile esse que não será proibido porque os “direitos dos mano” não acham justo, é lazer e “cultura”.
Esse sim teve todas as suas crenças concretizadas.

O primeiro cara se chama Jesus, talvez tenha recebido esse nome em homenagem ao Jesus que foi desprezado pelos seus, foi condenado e morto por um tribunal injusto e viciado. E tudo com a aquiescência de uma sociedade hipócrita, apodrecida e totalmente apática.
Ambos os Jesus na verdade só queriam ajudar, salvar vidas. Engraçado, né?
NÃO!!! Não vejo graça nenhuma!

Vai em paz Jesus... um garoto ótimo que ironicamente teve sua vida interrompida na “Cidade de Deus”.
Autor: Um policial militar ainda vivo 

Pois bem, depois deste texto que muito me comoveu, passo a minhas considerações:

Nem mesmo terminam as lamentações por uma morte de policial e outra noticia fúnebre surge, outro policial assassinado. Nas redes sociais os rugidos enraivecidos surgem, as palavras ecoam, depois passam. Na vida real ouvem-se só os miados dos que ainda sobrevivem o dia a dia do policial militar do Estado do Rio de Janeiro. Como eu já escrevi antes, é minima a participação deles numa manifestação pela vida do policial, é minima a participação deles na vida política da corporação, é minima a participação deles em qualquer cenário que poderia lhes trazer mudanças. São nulos!

Os relatos de morte de policiais com os mais diversos requintes de crueldade vão sendo noticiado, são alvejados por vários tiros, esquartejados, queimado e a sociedade não se manifesta por eles. Pior! Nem os seus estão presentes neste momento tão doloroso que só é mostrado nas redes sociais. Os parentes, amigos, e colegas só atentam para a gravidade da situação quando o acontecimento é consigo ou com um bem próximo.

Link: RVChudo

Após Jesus, mais dois morreram de ontem para hoje. Tá na hora ou não de agir?

Subten PM Da Costa, lotado na 4ª UPP do 3º BPM. O Policial foi morto na porta de casa, em Nilópolis.

Infelizmente mais um....agora na quinta da boa vista. Assassinado na frete da esposa e com o filho no colo. Soldado PM Moreira, lotado na UPP Cidade de Deus.

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