quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Padres declaram apoio a Freixo em manifesto e são desautorizados pela Arquidiocese

Divulgado na internet, o manifesto em apoio a Freixo foi assinado por 919 pessoas até as 21h desta quarta-feira.


A disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro dividiu a comunidade católica na reta final do segundo turno. Na tarde de terça-feira, um grupo de 11 padres e uma freira lançou um manifesto de apoio ao candidato do PSOL, Marcelo Freixo. Os religiosos, que no texto recorrem a orientações do Papa Francisco, afirmam que a candidatura de Freixo "é a que mais sintoniza com a construção de uma cidade mais justa, fraterna e igualitária". À noite, a Arquidiocese do Rio divulgou uma nota desautorizando a manifestação dos padres e reafirmando posicionamento apartidário. 

Divulgado na internet, o manifesto em apoio a Freixo foi assinado por 919 pessoas até as 21h desta quarta-feira. O texto diz que, segundo orientação do Papa Francisco, é uma obrigação dos cristãos se envolver na política. "Os cristãos não podem fazer como Pilatos e lavar as mãos", escreveram os religiosos. Na mensagem, eles se apresentam como padres da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

"Nós, padres da Arquidiocese do Rio de Janeiro, no horizonte do Evangelho da Libertação, da efetivação de uma 'Igreja em saída' (como compreende o Papa Francisco) e da antecipação do Reino de Justiça e paz inaugurado por Jesus Cristo, entendemos que a candidatura de Marcelo Freixo à prefeitura do Rio de Janeiro é a que mais sintoniza com a construção de uma cidade mais justa, fraterna e igualitária. Desse modo, entendendo como o Papa Francisco que a política é uma forma sublime de caridade em face da qual não podemos 'lavar as mãos', como Pilatos o fez", diz o texto.


A nota da Arquidiocese, assinada pelo cardeal arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, afirma não ter autorizado a manifestação de apoio a qualquer candidato a cargos públicos. No texto, a instituição diz que "não é possível compactuar com posições que entram em confronto com princípios contrários aos valores cristãos". A nota da Arquidiocese cita exemplos de valores que não podem ser confrontados. Alguns deles foram usados pelo candidato do PRB, Marcelo Crivella, em ataques a Freixo durante a campanha.


"Não é possível compactuar com posições que entram em confronto com princípios contrários aos valores cristãos, tais como o respeito à vida e a clara oposição ao aborto e à eutanásia; a tutela e a promoção da família, fundada no matrimônio monogâmico entre pessoas de sexo oposto e protegida em sua unidade e estabilidade, frente às leis sobre o divórcio; o tema da paz, que é obra da justiça e da caridade, e que exige a recusa radical e absoluta da violência, anarquismo e terrorismo. Devem ser reafirmados o acolhimento e a tutela com relação ao ensino religioso nas escolas além dos outros temas explicitados nas orientações referidas", escreveu a entidade.


O GLOBO tentou contactar os 11 padres e a freira que divulgaram o manifesto, mas não obteve resposta.

Durante a campanha do primeiro turno, a Arquidiocese do Rio protocolou uma representação contra Crivella no Ministério Público Eleitoral, depois que o candidato do PRB imprimiu panfletos com a imagem de dom Orani Tempesta. O material foi distribuído em portas de igrejas como a Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, e na entrada de estações do metrô. Além de Crivella, dom Orani recebeu outros candidatos à prefeitura do RIo.




2 comentários:

  1. Francisco Carlos V. Silva27 de outubro de 2016 04:21

    Esses padres e essa freira têm que ser punidos pelo Vaticano. Se não concordam com as regras da instituição não façam parte dela.

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