quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Prisão de Eduardo Cunha acelera os batimentos cardíacos da República


Por Ricardo Noblat
A prisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) produz dois efeitos no meio político – um imediato e outro de médio prazo.
O imediato: generaliza o pânico na República. O efeito de médio prazo: esvazia o discurso do PT de que a Lava Jato foi concebida para destruí-lo, e somente a ele.
Ao avanço da Lava Jato, que não tem data para terminar, correspondia o aumento de tensão dentro do Congresso e do governo, e também fora deles.
A prisão de Cunha leva o clima de tensão ao paroxismo. 
Ele não é apenas mais um político de peso a cair nas garras do juiz Sérgio Moro. Ele é “o político”, a levar-se em conta tudo o que sabe e tudo o que pode delatar.
Nada, por ora, se compara à captura de Cunha.
Delcídio do Amaral, ex-senador, ex-líder do governo Dilma no Senado, conhece por dentro do PT parte do que ali deu origem a escândalos. Sua delação serviu para que Lula e Dilma fossem denunciados por obstrução de Justiça.
Mas Delcídio, Lula e Dilma são o passado. O que acontecer com Lula e Dilma já não mais abalará o país. No máximo, causará barulho. E a vida seguirá em frente.
Uma eventual delação de Cunha poderá atingir gravemente o governo Temer. E isso, sim, teria potencial para embaralhar o presente e comprometer o futuro.
Cunha conhece os mais recônditos segredos do PMDB. E foi a peça decisiva do jogo que levou Temer ao poder.
Para chegar à presidência da Câmara, financiou a campanha de mais de 100 deputados do PMDB e de outros partidos. Montou uma bancada que, no seu auge, chegou a reunir pouco mais de 200 deputados. Era “o cara”.
Improvável que escolha amargar muitos anos de cadeia a negociar a revelação do que sabe. Ou de parte do que sabe. Mas é frio o suficiente para não fazer nada disso às pressas.
Quanto ao discurso do PT de vítima exclusiva ou preferencial da Lava Jato...
O discurso já não se sustentava, haja vista o envolvimento de tantos políticos de outros partidos com a roubalheira que a Lava Jato apura. A prisão de Cunha conspira para enfraquecê-lo de vez.

Moro que se prepare: aumentará a cobrança pela prisão de Lula. Sem a participação dele, segundo Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, em denúncia encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, nada do que enoja o país há dois anos teria sido possível.

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