segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Governador! Tenha vergonha nesta cara!


Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro, permissão para me dirigir à Vossa Excelência.
Sou o 2º SGT Sirley, funcionário Público do seu setor de segurança há 17 anos.
Excelência, quando passei no concurso era só um garoto, ainda estava no Exercito. Ansioso para resolver a vida, ter uma carreira.
Sabe governador, nós, garotos da Zona Norte, da Baixada, filhos de feirantes, operários, donas de casa, diaristas; tiramos um peso gigantesco das costas de nossos pais quando passamos num concurso público.
Eles nos criam com muita dificuldade, sabe?
Passam o maior aperto quando o ano começa, vão de madrugada para a porta da escola garantir nossa matrícula. No sábado, ao invés de descansarem da semana de trabalho, vão com a gente para o centro da cidade pechinchar o preço do nosso material escolar.
Lá em casa meu pai já levou ovo na marmita para eu ter iogurte no café da manhã. Ele ouviu dizer que era bom pro meu aprendizado.
Deve ser mesmo excelência, pois me formei e passei na prova, lá nas “cabeças”. Na minha época era só português, matemática e redação, tirei 10 em tudo. Pode pesquisar se o Sr. Quiser.
Meus pais ficaram orgulhosos de mim. Não deviam, eu que tinha orgulho deles. Aquilo foi o resultado do sacrifício deles, eu só os honrei.
E assim Sr. Governador, há 17 anos eles tem essa preocupação a menos. Hoje só tenho meu pai, minha mãe já faleceu, mas é outra história.
O fato é que o dinheirinho dele é pra ele. Vive quietinho no seu apartamento, a grana da aposentadoria é pouca, mas pelo que me diz, pra ele dá. O que importa é que cumpriu sua missão para comigo.
Sabe por que tô contando isso Governador?
Porque hoje, depois desses 17 anos formei família, sustento uma casa junto com minha esposa, tenho filhos. O mais velho tem quase a minha idade quando entrei na Polícia, já não sou mais aquele garoto governador.
E hoje também ouvi dizer que o senhor só vai pagar meu salário no dia 30.
Isso vai ser um grande problema excelência, o ultimo pagamento que o senhor cumpriu tem mais de um mês.
E não me venha falar de organização financeira, não o senhor. Além do que, por mais organizado que eu seja, não tenho meios de atravessar dois meses com um só pagamento.
No ultimo ano governador, troquei de carro quatro vezes. Não do jeito que o senhor está pensando, quem me dera.
Troquei porque precisava pagar minhas contas. Ai vendia o carro, usava parte do dinheiro e comprava um mais barato.
Tô no limite excelência, não demora e tô de velocípede.
Mas fiz esse sacrifício porque meu pai me ensinou a honrar meus compromissos, a ter vergonha na cara!
Ele me ensinou que posso passar o perrengue que for, mas ninguém vai bater na minha porta me cobrando nada.
Talvez o senhor devesse ter sido criado por um pai que nem o meu, ele sempre me disse que quem tem vergonha na cara não envergonha os outros.


Pois é excelência. É com muita vergonha que terça feira vou ser obrigado a bater na sua porta para lhe cobrar.
Eu e meus irmãos, filhos da pobreza, mas também da dignidade.
Espero que nos atenda! Não me leve a mal, mas o senhor tem muito que aprender conosco, sobre honra, dignidade, brios e amor ao ofício.
Os “elefantes” perceberam que estavam amarrados a um pé de alface e amarrado com um barbante. Se rompeu!

Texto retirado da Internet.




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