sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Temer pode não chegar ao final do mandato em 2018


Matéria publicada nesta quinta-feira (15) pelo Financial Times comenta que o principal assessor de Michel temer, José Yunes é a figura mais próxima do presidente a se afastar após ser acusado de participar do esquema de corrupção conhecido como Lava-Jato. 
Reportagem do Times observa que em meio ao conturbado cenário do país, o presidente anunciou medidas para estimular a economia, enquanto ele luta para salvar sua administração das investigações sobre corrupção.

O pacote de medidas destinadas a ajudar as empresas e os consumidores a pagar as suas dívidas e a impulsionar áreas que vão desde o setor imobiliário até o varejo ocorre quando Temer está abaldo com a saída de José Yunes, seu assessor, figura-chave de seu governo, avalia o Financial Times.



A saída de Yunes, um amigo próximo do presidente desde que eles estavam na escola de direito, significa que Temer perdeu sete funcionários de seu gabinete, incluindo seis ministros do governo, em pouco mais de seis meses - principalmente por conta de escândalos envolvendo alegações de corrupção.
"Nos últimos dias, Senhor Presidente, vi o meu nome arrastado pela lama", escreveu  Yunes na sua carta de demissão, publicada no jornal Valor Econômico. 
"Eu repudio com toda a força de minha dignidade esta ignominiosa história."
O diário britânico afirma que o partido do Movimento Democrático Brasileiro, de Michel Temer, é o maior do Congresso, mas está cada vez mais cercado pela investigação da Petrobras, que se baseia em alegações de que os políticos estavam alinhados com gerentes e contratados para extrair subornos da empresa.
Executivos da Odebrecht, maior construtora do Brasil, estão divulgando seus acordos de delação premiado com promotores como parte da sondagem da Petrobras, implicando Temer e muitas figuras importantes de seu governo e partidos aliados no Congresso. 
Temer negou qualquer irregularidade. Mas os escândalos, combinados com a sua incapacidade de fazer progressos significativos em torno da economia, reduziram os baixos índices de aprovação de Temer, colocando em dúvida a capacidade de seu governo sobreviver até final do mandato, analisa o Financial Times.
De acordo com o Financial Times, o presidente agradou os mercados financeiros ao pressionar as reformas econômicas pelo Congresso a uma velocidade recorde desde que chegou ao poder este ano, após o impeachment de Dilma Rousseff mas isto não é tudo e será preciso muio mais para resistir a onda de delações da Odebrecht, que parece uma metralhadora potente, capaz de detonar o Congresso inteiro do Brasil, 
"Medidas estão sendo tomadas para nos tirar da recessão, a recessão que encontramos quando entramos no governo", disse Temer.
Alguns analistas acreditam que a impopularidade da administração de Temer é sua maior vantagem. O número de pessoas que classificam o governo como "bom ou excelente" caiu para 10 por cento em dezembro, contra 14 por cento em julho, de acordo com o analista Datafolha.
"Esse é um paradoxo que a maioria dos meios de comunicação ainda não percebeu", disse Fernando Shüler, cientista político da escola de negócios Insper da capital paulista. 
"Só um governo que não tem nada a perder, que tem poucas chances de reeleição, se dedicaria a tais reformas estruturais impopulares".

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