segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Ataque de Corsários no Rio de Janeiro (ontem e hoje)


Em 12 de setembro de 1.711, uma esquadra francesa composta por 17 navios, 740 peças de artilharia e 5.824 homens, comandada pelo corsário francês Duguay Troin, adentrou à Baía da Guanabara e, após uma semana de combates, Francisco de Castro Morais, o “Vaca”, governador da Capitania do Rio de Janeiro, evacuou a Cidade e escafedeu-se.


À época a artilharia que deveria defender a nossa cidade estava sob o comando de Gaspar da Costa e por um certo normando chamado du Bocage (já na origem se antevia as sacanagens das quais o Rio seria vitima)
Após algumas interlocuções entre Duguay e as “autoridades” locais, o corsário francês aceitou o pagamento de 610 mil cruzados, cem caixas de açúcar e mais 200 bois para ir embora. Cada cruzado de ouro pesava uma grama que, se derretidos à época e transformados em barra de ouro, equivaleria hoje a cerca de 610 quilos, valendo uma bagatela de R$ 720,5 milhões na cotação de 2017.

Atribui-se à rede de captação do ex governador Sergio Cabral a cifra de R$ 270 milhões. Já os “companheiros” da Petrobras com suas “petroroubalheiras”, dentre outros, Pedro Brusco que se comprometeu a devolver R$ 316 milhões; Julio Ferman, operador dos contratos da Petrobras acertou com a viúva a devolução de R$ 176 milhões; somadas, as cifras desses três doutos “corsários” do século XXI, o montante chega a R$ 762 milhões.

Um detalhe técnico: Corsário é um pirata (bandido e marginal) com carta de corso (sanção oficial de uma nação) para pilhar outras nações e embarcações de outros países. Os “corsários” do nosso País também atuam mediante uma “carta de corso”, que é o mandato político que a eles atribuímos com nosso voto.

Ambos, portanto, mesmo cometendo crimes e atrocidades, estão agindo em nome de seus patrocinadores e com amparo da lei. A diferença reside que os corsários do século 18 eram comissionados para roubar e atacar os inimigos dos outorgantes, já os corsários brasileiros roubam de seus próprios mandatários.


Outra ironia: um dos corsários mais famosos foi o inglês Sir Francis Drake, ou “El Dragon”, como era chamado pelos espanhóis. Seu discípulo mais famoso foi Sir Thomas CAVENDISH, que atacou cidades brasileiras. Qualquer semelhança com a atualidade brasileira só pode ser ironia do destino, só pode.


Com certeza os Corsários de hoje causaram mais danos ao Rio de Janeiro e ao Brasil do que o corsário francês do século 18, inclusive no quesito “morte”, pois com o botim por eles perpetrado mataram muito mais cidadãos cariocas do que Duguay em suas escaramuças no Rio de Janeiro.

Somente com suas canetas Cabral, Barusco e Ferman superaram a marca do corsário do século 18, que à época precisou de 17 navios, 74 canhões e uma semana de combates.

Adaptado da publicação de Elio Gaspari em 08/01/2017

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