domingo, 15 de janeiro de 2017

Verdades e meias verdades dos ditos "articulistas" sobre Israel

No último dia 6 de janeiro, O GLOBO publicou nesta seção artigo do jornalista Rasheed Abou-Alsamh analisando o conflito entre israelenses e palestinos (http://glo.bo/2jgyMqh).

Não nos cabe contestar as opiniões do articulista mas, como foram acompanhadas por sérias distorções dos fatos, em respeito ao leitor é importante esclarecer tais inverdades e meias verdades. São muitas mas, pela limitação do espaço, vamos abordar apenas algumas.

Abou-Alsamh inicia seu artigo dizendo-se emocionado pelas “muitas verdades” ditas pelo atual secretário de Estado americano, John Kerry, em seu recente discurso sobre o tema.

Não surpreende que um jornalista de origem saudita tenha aprovado um pronunciamento no qual toda a culpa pelo conflito é posta na conta dos israelenses, e nenhuma recai sobre os árabes. Surpresa mesmo foram as críticas que até mesmo grandes aliados dos EUA, como Grã-Bretanha e Austrália, fizeram à extrema parcialidade e falta de conhecimento da situação exibidas por Kerry.

O jornalista prossegue afirmando que, para o governo israelense, “os territórios ocupados da Cisjordânia e Gaza são territórios judeus que nunca serão dos palestinos”. Vamos aos fatos:
Gaza jamais foi considerada território judeu e em 2005 foi devolvida integralmente aos palestinos. Lá havia algumas colônias judaicas, também acusadas de serem obstáculos à paz. Pois bem, todas foram desmanteladas e, desde então, não há um só judeu, civil ou militar, em Gaza. Veio a paz? Infelizmente, não. O que veio de Gaza foram uma chuva de mísseis atingindo populações civis em território israelense e centenas de terroristas do Hamas tentando diariamente invadir Israel por túneis subterrâneos.

Sobre a Cisjordânia, cujo nome original é Judeia e Samaria, os israelenses apenas demandam que, em qualquer negociação de paz, seja levada em conta a milenar presença judaica nessa região e que seja permitido aos judeus continuarem morando nos locais onde viveram grande parte de sua história.

Há várias opções na mesa, entre elas a troca dos territórios onde hoje há comunidades judaicas por outros de igual tamanho e qualidade, ou até mesmo a manutenção destas comunidades sob bandeira palestina. Mas os palestinos e seus aliados são intransigentes. Afirmam que, apesar de quase dois milhões de árabes viverem como cidadãos com plenos direitos em Israel, um futuro Estado palestino deve ser absolutamente livre de qualquer judeu.

Abou-Alsamh então recorre a um instrumento comum aos detratores de Israel, que é a simples supressão de partes da História. Critica as barreiras de proteção que prejudicam o fluxo de palestinos ao território israelense. Mas omite propositadamente que o trânsito era livre até que os palestinos passaram a aproveitar esta liberdade para enviar dezenas de homens-bomba para explodirem-se em ônibus, restaurantes e universidades de Israel. Menciona apenas “ataques frustrados” de palestinos contra israelenses, sem citar as dezenas de atentados infelizmente bem-sucedidos, como o que matou três mulheres e um homem agora mesmo neste domingo, dia 8.

Ciente da aversão atual do mundo a todas as formas de terrorismo, o jornalista tenta mostrar certa empatia, afirmando que “israelenses têm o direito de se defender de ataques vindos de palestinos”, mas ressaltando que “o problema não é esse”. Sim, senhor Abou-Alsamh. O problema é exatamente esse.

Enquanto os israelenses não estiverem seguros de que um futuro Estado palestino não será usado como plataforma para ataques a Israel, como já acontece em Gaza, não haverá chance de acordo.

No dia em que o Egito assegurou a Israel seu compromisso com a paz, recebeu em troca um território gigantesco. Quando os palestinos abandonarem seu discurso de ódio e sentarem-se com boa-fé à mesa de negociações, verão que seu sonho de um Estado próprio está mais perto do que imaginam de se tornar realidade.


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