sábado, 11 de fevereiro de 2017

GLOBO, a noticia com rabo preso.

Grilo global

CPI que apura ocupação ilegal de terrenos na Barra ouve denúncia contra a família Marinho.




A CPI do 9º Ofício, que apura irregularidades na ocupação de terrenos da Barra da Tijuca, encontrou mais um personagem para a novela  em curso na Assembleia Legislativa do Rio. Trata-se do empresário Roberto Marinho, cuja família controla as Organizações Globo. 
Em depoimento prestado na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a advogada Maria Alcina Dias Torga afirmou que o 9º Ofício facilitou a grilagem de um terreno de 300 mil metros quadrados no Recreio dos Bandeirantes. A empresa beneficiada foi a Dermesil Comércio, Administração e Participação, que pertenceria à família Marinho.  
– O 9º Cartório pegou esse terreno, desmembrou e fez quatro registros no nome de uma empresa chamada Dermesil – disse Maria Alcina. – Comuniquei a irregularidade a diversos órgãos da Justiça e ao Ministério Público,  mas nada foi feito. 
As denúncias envolvendo os controladores das Organizações Globo na Zona Oeste do Rio vão além da suposta grilagem relatada pela advogada. Segundo o deputado Paulo Ramos (PDT), que preside a CPI, o Projac, em Jacarepaguá – onde a emissora grava boa parte de seus programas – também teria sido adquirido de maneira ilegal.
– Nos anos 80, o Projac foi comprado através de uma linha de crédito da Caixa Econômica que já tinha sido liquidada – afirmou o parlamentar. – Eles reabriram o crédito e emprestaram US$ 40 milhões para a Globo comprar o terreno do Projac. Na ocasião, a intenção da Caixa era pulverizar essa linha e distribuir entre várias empresas, mas tudo foi destinado de uma vez só à família Marinho.
O suposto favorecimento na  aquisição do Projac fez Paulo Ramos, então deputado federal, pedir a devolução imediata dos US$ 40 milhões emprestados pela Caixa Econômica Federal. O problema é que, misteriosamente, a ação ficou dois anos sem relator. 
– Entrei com ação contra a Globo para que o empréstimo fosse anulado, e o juiz deu decisão nesse sentido – afirmou o deputado. – Só que eles recorreram da decisão, que até agora não foi julgada, mas ainda está na Justiça. E o empréstimo é apenas um dos problemas. Nos anos 90, a prefeitura ignorou várias exigências ao conceder o “habite-se” do Projac à Globo. 
Com 4 milhões de metros quadrados, estúdios e cidades cenográficas, o Projac não é o único terreno da Globo na Zona Oeste envolto em mistério. Além da propriedade de 300 mil metros quadrados descoberta pela CPI no Recreio dos Bandeirantes, a família Marinho é dona de outro empreendimento na área supostamente grilada da Barra da Tijuca. 
A São Marcos Empreendimentos, braço imobiliário da Rede Globo, é a responsável pelo Shopping Downtown, que fica justamente numas das áreas cujas escrituras teriam sido fraudadas pelo 9º Ofício. 
– A razão pela qual uma CPI importante como essa jamais foi citada em qualquer veículo da Globo é simples: eles têm ciência dessas irregularidades – disse Paulo Ramos. 
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da emissora não respondeu aos questionamentos. Em conversa com o JB, uma das pessoas que reclamam a posse de terrenos na Barra deixou clara sua falta de esperança. 
– Essa sujeira do 9º Ofício se arrasta há décadas. Com a Globo e a CBF no meio, isso vai continuar parado – disse lembrando que a entidade que dirige o futebol vai erguer sua nova sede num terreno sob suspeita. 
Titular do 9º Ofício de Registro de Imóveis – cartório acusado de legitimar ocupações ilegais de terrenos na Zona Oeste do Rio, Adílson Alves Mendes afirmou em depoimento na semana passada à CPI que possuiu apenas dois imóveis em toda sua carreira.
Documentos obtidos pelo Jornal do Brasil, porém, mostram que Adílson já teve, pelo menos, outros cinco imóveis. Coincidência ou não, todos na Barra da Tijuca. 
– No depoimento à CPI, o Adílson não tinha a obrigação de produzir qualquer prova contra ele. Ele pode ter omitido esses imóveis, que nós vamos verificar – disse o deputado Paulo Ramos (PDT). – Nós já quebramos o sigilo bancário e telefônico dele, o que vai nos ajudar a saber se houve enriquecimento ilícito graças às irregularidades  no cartório. 
Outra acusação que recai sobre Adílson é a de que o 9º Ofício teria ignorado ordens judiciais para registrar terrenos da Barra da Tijuca no nome dos seus verdadeiros donos, dando sempre preferência à Empresa Saneadora Territorial Agrícola (ESTA). 
Em depoimento, o titular do cartório alegou que deixou de cumprir as ordens porque as mesmas não tinham fundamento. No entanto, a reportagem teve acesso à resposta do juiz Simões Costa, enviada a Adílson quando ele se negou a reconhecer o espólio de Abílio Soares, cujas terras teriam sido griladas pela ESTA. 
“Não lhe compete, pois, alardear dificuldades para obstar o cumprimento de ordem judicial, suscitando nova dúvida no cumprimento da decisão”, contestou o juiz. 
O mais impressionante é que, apesar de Adílson defender que a cadeia dominial da ESTA e do Banco de Crédito Móvel é verdadeira, há documentos que vão contra a  afirmação. O titular do 1º Ofício, cujo cartório era responsável pela Barra da Tijuca antes da criação do 9º, garante que o Banco de Crédito Móvel foi cassado, invalidando suas posses. Além disso, o terreno que o banco possuía abrangia apenas Vargem Grande, Vargem Pequena e Camorim, sem qualquer menção à Barra. 
“Há várias escrituras em que imóveis são designados por lotes, quadras (...) nas quais o 9º Ofício exige o desmembramento. Como? Em outras incidências, anda é exigido. Por que?”, questiona um parecer de Márcio Teixeira Loureiro, titular do 1º Ofício. 

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