segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Rio sofre com queda de turistas estrangeiros no período de carnaval


Praia de Copacabana, dia ensolarado, poucos dias para o início do Carnaval, e a maior parte das mesas de quiosques e restaurantes da orla estão vazios. Atendentes e donos de quiosques, lojas de souvenir e restaurantes em áreas turísticas ouvidos pelo JB se queixam de que o movimento de turistas estrangeiros, em geral, está muito abaixo do registrado em anos anteriores. Além da redução na atração de visitantes, a maior parte dos turistas que vêm para a cidade é da América do Sul, público que tradicionalmente gasta menos, e a presença de norte-americanos, europeus e asiáticos já não é mais como antes. 
De acordo com dados da Associação de Hotéis do Rio (ABIH-RJ), a previsão de ocupação hoteleira na capital era de 72% dos quartos ocupados para o período carnavalesco. No ano anterior, a taxa foi de 85,93%.
A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Rio de Janeiro (Abav-RJ), Teresa Cristina Fritsch, atribui a queda de turistas estrangeiros neste carnaval, principalmente, à redução no número de cruzeiros. "No ano passado, recebemos treze navios neste período. E este ano, serão apenas sete." 
Teresa Cristina ressalta, contudo, que "o turista nacional é tão importante quanto o estrangeiro, pois gasta e gera receita para a cidade". "Segundo a Riotur, teremos 1,1 milhão de turistas durante a semana do carnaval e 30% desse público é de estrangeiros", comenta Teresa Cristina.
Argentinos e chilenos são os que mais consomem nas lojas para turista. No ano passado, na época da Olimpíada, a maioria era de europeus e norte-americanos. Atendentes de quiosques fazem a mesma observação -- a maioria dos turistas estrangeiros são latinos, e não costumam gastar tanto quanto turistas vindos de outras regiões. 
Cassio Santos Sampaio, 25 anos, atendente em um quiosque na praia de Copacabana desde 2014, aponta que, em relação ao ano passado, o movimento está "muito fraco". 
Tatiane dos Santos, 22 anos, há um ano e meio trabalhando em outro quiosque, reforça que o movimento de turistas estrangeiros "está muito mais fraco que no ano passado". "Dificilmente a gente ficava parado nesta época do ano." De acordo com ela, entre os turistas, os que mais frequentam o local são os argentinos e chilenos, "que não gastam nada". Ela também se queixa do grande índice de assaltos, que poderiam, acredita, ser o motivo do afastamento dos turistas. 
Cláudio Salomão, 24 anos, há um ano e meio atuando em outro quiosque, também aponta: "está bem fraco" para uma semana de pré-carnaval. Ele reforça as reclamações sobre o índice de roubos na praia. Ele mesmo costuma recomendar aos clientes para guardar celulares e carteiras. 
Wagner de Souza, gerente do restaurante Maxim's há seis anos, conta que 90% dos clientes do local são turistas estrangeiros, a maioria sul-americanos -- que costumam consumir menos, ele reforça. Ele destaca, por outro lado, que os roubos da região teriam reduzido um pouco -- talvez devido à presença do Exército, ele comenta.  As Forças Armadas, contudo, deixaram as ruas cariocas no dia seguinte da entrevista, na quarta-feira (22).

Vivian Arab tem um restaurante na orla de Copacabana e um quiosque na Lagoa. Ela estima uma baixa de 60% no movimento deste período de carnaval em relação a anos anteriores. "É uma baixa bem grande, muito substancial. O comércio do Rio sofreu muito, ficamos abandonados à própria sorte. Eu tenho um segurança aqui [no restaurante de Copacabana] e lá [no quiosque da Lagoa"
"É uma tristeza. A gente tenta encontrar ânimo não sei da onde para não fechar o estabelecimento", conta Vivian, que escuta reclamações semelhantes de colegas comerciantes da cidade. 
A presidente da Abav-RJ, Teresa Cristina Fritsch, sugere que, para atrair mais turistas estrangeiros, é preciso aprovar a isenção de vistos, aumentar a conectividade aérea, fomentar e estimular a vinda de cruzeiros marítimos, buscar a isenção de impostos em meios de hospedagem e liberar a atuação de cassinos. 
O Jornal do Brasil entrou em contato com a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro - Riotur, mas não recebeu retorno.




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