sexta-feira, 31 de março de 2017

AS FORÇAS VIVAS DA NAÇÃO

“… as forças vivas de 64 poderão se manifestar” — AS FORÇAS VIVAS DA NAÇÃO.


“que não ousem obstruir a aplicação da Lei. Seria a decretação do fim da Democracia, e aí, outra vez as forças vivas de 64 poderão se manifestar”

AS FORÇAS VIVAS DA NAÇÃO
Faz cinquenta e seis anos. Era o ano de 1961 e cursávamos  o último ano da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN),  integrando a Turma do Sesquicentenário. Parece que foi ontem, mas já decorreu um bom tempo.

Muito jovens ainda, totalmente, voltados para os estudos acadêmicos e para a formação militar, pela primeira vez ouvimos ou, pelo menos, botamos atenção no termo “crise política”. Foi em 24 de agosto, quando o excêntrico presidente Jânio Quadros, de forma surpreendente e sem motivo relevante aparente, renunciou ao seu cargo, mergulhando o país num clima de incertezas que só teria o seu culminar no dia 31 de Março de 1964.

Não saberia dizer se foi aquela a causa maior do deflagrar do Movimento Revolucionário, mas que sua influência foi decisiva, disso não há a menor dúvida. Nossa formação foi pouco influenciada pela situação política criada e por seus efeitos na vida da nação. Fomos praticamente blindados em relação aos danos causados pelo tresloucado ato do presidente. De transtorno mesmo, apenas o adiamento da data da formatura que só pode ser concretizado no último dia do ano. Quase fomos formados em 1962.

Só mais tarde pude perceber o quanto foram importantes, na época, os chefes que estavam à frente da Academia. Todos oficiais de elite da Força e que nos anos seguintes, já no governo da Revolução, ocupariam os mais relevantes postos. O comandante, general Adalberto Pereira dos Santos, viria a ser o vice-presidente no período Ernesto Geisel; o subcomandante, coronel Emílio Garrastazu Médici, ainda no final daquela conturbada década de sessenta ocuparia a presidência do país; e o comandante do Corpo de Cadetes, coronel Antônio Jorge Corrêa que em 1974 seria o ministro chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, precursor do Ministério da Defesa, não sem antes ser cogitado para a própria presidência do país. Que timaço!!! Sorte a nossa.

Não chegamos a ter, portanto, os cadetes de 1961, participação efetiva nas conspirações, planejamentos e preparativos do 31 de Março. Éramos muito jovens, bisonhos segundo-tenentes, ainda preocupados e envolvidos unicamente com a complementação do aprendizado castrense que só a vida na tropa nos proporciona.

Mas sentimos, sim, logo ao nos apresentarmos nas nossas unidades, no início de janeiro de 1962, o tormentoso clima de instabilidade política, social e econômica que reinava em todos os cantos do país. A ameaça comunista, sob as vistas e incentivo do próprio presidente da República avançava a passos largos.

Quem foi, como nós, designado para servir no Rio de Janeiro viveu intensamente aquele período executando operações de manutenção da ordem pública. Na prática, o coração político do Brasil ainda pulsava aqui. Era aqui que tudo acontecia e ressoava. Vivíamos em eterno regime de prontidão nos quartéis e em ação nas ruas para impedir a anarquia promovida pelos agitadores vermelhos durante todo o período que antecedeu a Revolução Democrática. Visitas às nossas famílias só esporadicamente e por tempo sempre muito curto.

Até que tudo explodiu e por exigência e convocação das forças vivas do país – o povo, a mídia, a Igreja, a massa dos brasileiros enfim – as Forças Armadas intervieram. Não por pressão dos Yankees, como passaram a afirmar os derrotados, os mal-intencionados, os desinformados e os saudosistas de uma ideologia fracassada em todos os cantos do planeta.


Não houve um tiro sequer, mas a participação da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) foi fundamental para a rendição das unidades fiéis ao presidente João Goulart, na virada de 31 de março para 1.º de abril de 1964. Sob o comando do então general de brigada Emílio Garrastazu Médici, a escola de formação de oficiais mobilizou os cadetes, professores e pessoal de serviço, no total de mais de 2 mil homens, para bloquear o Vale do Paraíba, por onde as forças do 1.º Exército avançariam contra São Paulo.


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