terça-feira, 23 de maio de 2017

Diretas ou indiretas?

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, convocou os comandantes militares, segundo informações de jornais, para ouvir sobre a crise que vive o país. O que vazou é que os comandantes e o próprio ministro teriam concluído que Constituição tem que ser respeitada.
A Constituição respeitada significa que, numa eventual queda de Michel Temer, haveria eleição indireta no Congresso para presidente.
Levantamentos apontam que 166 deputados e 28 senadores foram eleitos com doações registradas da JBS. A superplanilha da Odebrecht tinha nomes de 279 políticos. Isso significa que, se for respeitada a Constituição, não será o povo - através dos parlamentares - que vai eleger o novo presidente. Serão Joesley Batista e Marcelo Odebrecht. É eleição indireta só para esses dois senhores. E neste caso, o candidato preferido de Odebrecht terá mais força.
Qual seria a conclusão? Pelo que se sabe sobre esses dois delinquentes, o Congresso não é mais eleito pelo povo. Só foi eleito com dinheiro pago por esses dois senhores, que continuam comandando seus parlamentares.
Não é isso, com certeza, que nenhum brasileiro quer. Não é isso, com certeza, que nem os segmentos que compõem os poderes do Brasil querem. O povo não vai aceitar a escolha de um Congresso, que é desqualificado pelos próprios delatores criminosos, e com parlamentares com processos e indiciamentos feitos pelo Ministério Público e pela Justiça brasileira.
Uma eleição direta também poderia não ter um bom resultado. Mesmo sendo a democracia o regime no qual tem que se respeitar a vontade do povo, seria constrangedor que algum desses candidatos que vêm sendo apontados pela Justiça como corruptos pudessem ter sucesso.
Como ficaria a Justiça se houver algum candidato já indiciado e se, no momento da eleição, ele ter virado réu? Principalmente levando-se em consideração que o processo para torná-lo inelegível é lento, podendo não haver tempo para eliminar suas qualificações de candidato.
Como reagiriam as elites, que vêm de forma violenta exigindo a punição para muitos desses que poderiam ser eleger?
Mas se a democracia é o regime das maiorias, a quem respeitar? A vontade das elites ou do povo? Poderíamos até mesmo ser obrigados a ter a infelicidade de perguntar: a quem respeitar, a maioria do povo ou a Justiça?
Os desmandos que as instituições vêm sofrendo, com o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizendo que Brasil vive um estado de "anomia" - coisa que o JB já escrevia em 2012 (É preciso respeitar o Brasil) - lançam uma pergunta: não existe solução?
E nós perguntamos, por qual segmento? O empresarial, onde o presidente da maior Federação da indústria está envolvido em recebimento de dinheiro em campanha? Vale lembrar que os outros presidentes comandam instituições que pertencem ao segmento industrial e comercial há mais de 50 anos.
Aos sindicatos, que são acusados muitas vezes de não colaborarem com o país e sim com a desordem?
Ou imaginemos que a decisão tenha que ser tomada por qualquer segmento vitorioso num processo não democrático?

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