terça-feira, 16 de maio de 2017

Seap fora de controle



‘A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) é um órgão sem controle eficaz do Ministério Público, tanto na parte de improbidade administrativa quanto na criminal. Além disso, a Corregedoria não possui fiscalização externa’. A fala é do promotor André Tavares Freitas, titular da Execução Penal que repassou em ofícios inúmeras irregularidades relatadas por servidores do sistema prisional às promotorias com atribuição para apurar. No entanto, até agora, pouco ou quase nada foi feito. 

O Secretário de Administração Penitenciária está envolto em diversas denuncias, inclusive quanto a mordomias concedidas ao detento Sergio Cabral, seu ex chefe. Não há como desvincular o secretário de Sergio Cabral, já que foi seu “homem de confiança” no comando da PMERJ bem como ter recebido doação de campanha do filho de Sergio Cabral quando de sua candidatura a um cargo eletivo nas ultimas eleições.

Ao contrário dos demais detentos, Cabral dorme na biblioteca com ar condicionado, usa internet e celular na sala da administração, manda lavar em casa a roupa suja, encomenda comida em restaurantes de fora e, dentro da cela, que sequer possui tranca, desfruta do que os outros presos jamais podem almejar: três ventiladores e vaso sanitário, – os demais são obrigados a se contentar com o famoso “boi” (buraco no chão). Tudo com as bênçãos dos dirigentes do presídio, comandado pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), afilhado político e ex-vice de Cabral. 

O ex-governador recebe visitas fora de hora, como está no livro que registra a entrada de parentes e políticos e que foi mostrado à reportagem de ISTOÉ: entre 24 de novembro e 4 de março, por exemplo, foram 61 visitas, sendo que 32 feitas somente pelo filho Marco Antonio Cabral, que usa a prerrogativa parlamentar para encontrar o pai. Muitas dessas visitas, por serem em dias extras, não passam pelas vistorias de praxe. Até autoridades do governo Pezão, como o Secretário de Administração Penitenciária, já despacharam com Cabral, como se ele ainda fosse governador do Estado.

Urge que Sergio Cabral seja transferido para Presídio federal, onde sua “autoridade” não interfira nas investigações em andamento pelo Ministério Público Federal.

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