quinta-feira, 22 de junho de 2017

A grande maquiagem se desfez.

A enchente, a corrupção, a falta de escolas e de professores, a falta de hospitais, a insegurança... nada acabou. 

O antigo prefeito fez tudo para maquiar o Rio de Janeiro, fez tudo para a cidade virar páginas do mundo inteiro. Hoje, mora em Nova York e é CEO de empresa chinesa com ligações estreitas com a venda de equipamentos e vagões para o metrô do Rio.
E hoje, o Rio que ele deixou volta a ganhar destaque quando a região mais rica da cidade submerge com uma chuva de dez horas.

O Rio do museu de bilhões de reais, do VLT de alto custo e benefícios sociais e financeiros sem resultado, e ainda com uma dívida de R$ 900 milhões, vê seu comércio falido e engolido pela inundação, por obras desnecessárias em suas ruas, como se essa água pudesse apagar o incêndio de suas contas atrasadas que levam à falência.
A região mais rica da cidade paga pela omissão de um prefeito que se preocupou em empreender bilhões de reais numa região onde se mata por um celular: a Zona Portuária, cercada por comunidades assoladas pela crise e pela destruição causadas por esses administradores nesses últimos anos. Administradores que fizeram com que os mais pobres e sofridos, na luta pela sobrevivência, não tenham sequer o direito - pela raiva do que veem na corrupção e na anomia - de respeitar as leis. Ainda mais quando estes mais pobres percebem que os "fazedores" das leis são também os fabricantes de suas desgraças, quando roubam e malversam o dinheiro público.
Ontem e hoje, o Rio de Janeiro é o retrato do que fizeram estes homens. Em compensação, pode ser também uma primeira paga para aqueles que vivem nessa região, onde esses quadrilheiros foram tão bem votados. 
Bombeiros auxiliam a retirada de pedestres que ficaram ilhados durante o temporal no Jardim Botânico 

Se a sofridão fosse só desses homens, tudo bem. Mas não é. É dos pobres trabalhadores, que voltam para as suas quatro horas diárias de transporte para casa, para poderem dormir quem sabe outras quatro horas, e depois gastar mais quatro horas para chegar aos seus locais de trabalho sacrificante e desgastante, onde ganham seus salários mínimos e adiam um pouco mais suas mortes de fome.

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