terça-feira, 13 de junho de 2017

Diário da Maturidade, o Pátio da Bandeira

Pátio da Bandeira da EPCAr, considerado solo sagrado por quem lá passou.

Estamos em Junho, por essa época, (em 1973) me desliguei do Centro de Formação de Pilotos Militares lá em Natal, Rio Grande do Norte. Mas, antes, estudei na EPCAR em Barbacena, Minas Gerais por três maravilhosos anos. 


Centro de Formação de Pilotos Militares em Natal

Já se passaram 47 anos quando adentrei o Pátio da Bandeira da nossa eternamente querida Escola. Tantas décadas perfazem uma vida e nela quantas coisas boas aconteceram. Em especial nos três anos, tenho lembranças do muito que vivi na cidade mineira. Mas, o tempo flui de maneira inexorável e elas(as lembranças)vão ficando pelo caminho, por isso se faz necessário que registremos em papiros da modernidade para as futuras gerações. 



Era uma vida de intenso estudo e disciplina. Tudo era executado nos mínimos detalhes para que se fixasse em nossas mentes a formação do bom caráter e do bom cidadão, que o fomos com certeza em todas nas nossas realidades. Pequenas passagens, que, por negligência não registrei, ficarão para outros colegas de invejáveis memórias. Tenho a certeza que fui um bom aluno e na cidade, explorei ao máximo. 



Tinha uma família perto da Igreja da Boa Morte que me adotou, ou melhor, nos adotamos. Estava de namorisco com uma das moças da família. Entretanto, o lado romântico para por aí. Durante a semana, quando era proibido sair da Escola, tinha um lugarzinho lá no fundo do H8 que servia de saída e chegada dos famosos VI’s. Para quem está lendo o texto e não entendeu, eu explico: H8 eram apartamentos para oito alunos; VI era "Voo por Instrumento", que nada mais era que uma fuga. Era muito bom! Só a sensação da aventura e ter que se esconder da PA(Polícia da Aeronáutica) que fazia ronda pela cidade, valia a adrenalina. Havia motivos nobres para tais fugas. Como a cidade era muito politizada, havia "diretórios de partidos" espalhados pelos arredores. SESSENTA era um deles, onde os debates céleres eram mano a mano e na porta da sede era depositada uma contribuição para as despesas de campanha do partido. A DORA era um "partido nanico", mas a contar com as contribuições voluntárias dos alunos da Escola, em breve estaria disputando as eleições municipais. As Sessentistas e as Doristas eram muito prestativas para com os alunos, que eram todos bons apoiadores. Havia também o "RANCHO ALEGRE" e a "VOVÓ". Destes dois diretórios tenho más lembranças. Não sei se naquela época tinha essa briga de esquerdistas com os demais, mas o certo é que havia minúsculos seres a fazer passeata pelo nosso corpo, que só podiam ser de esquerda de tão chatos que eram: “Pthirus unidos, jamais serão vencidos”. Nós os combatíamos com tenacidade e furor. 


H-8, apartamentos alunos 3º ano da EPCAr.

No fim de semana nós chutávamos o balde e bebíamos todas. Os mais comportados iam para o Ginos e Olimpic. 


Turma EPCAr 75 no Ginno's por ocasião de seus 40 anos.

Os menos comportados(que nem eu) iam aos botecos. Ô sina! Foi bom. Mas não posso deixar passar em branco o que me traz ao texto. Todos nós, ex-alunos, estamos na casa das seis décadas de vida.


Turma EPCAr 75 de volta no tempo

Biologicamente estamos ficando velhos. Lembro-me dos feriadões quando os ônibus estacionavam no Pátio da Bandeira. Grande área que servia aos desfiles e comemorações. Boa parte viajava para as suas casas, saudosos de seus pais, como eu também. E a vida tem dessas coisas, uma delas é a implacabilidade da finitude. Só menciono este fato, pois, no Pátio da Bandeira de nossas vidas, de vez em quando chega um ônibus especial e o motorista desce com uma prancheta na mão. Lá está o nome do passageiro. Ninguém sabe quem é, mas tem-se a certeza que foi um bom aluno e um bom professor na pequena escola em que se transformou a sua família, lugar de grandes realizações e ensinamentos. 



É no Pátio da Bandeira que chegamos e é nele que partimos. 



Enquanto ele não chega, nós ainda iremos aos Ginos e Olimpics de nossas cidades. Tomaremos muitos goles nos nossos botecos, mas dispensaremos os "Sessentas" e as "Doras", pois já não fazem mais parte da nossa "política partidária". 

Se o nosso ônibus apontar no nosso Pátio da Bandeira, saberemos que fomos os melhores. Os nossos também.



Sérgio Clos, aluno EPCAr. Sim, aluno, pois, nunca deixamos de ser.

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