quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Estado narco traficante.

Cabral confraterniza com os milicianos Natalino e Jerominho, em festa na Zona Oeste

O traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, revela em livro que ajudou o ex-governador Sérgio Cabral na campanha de 1996 — quando o então deputado presidente da Assembleia Legislativa do Rio disputou o cargo de prefeito e perdeu. No texto, um manuscrito a que o EXTRA teve acesso com exclusividade, o traficante conta que a equipe de Cabral pediu o apoio dele no Complexo do Alemão e que o ex-governador esteve com ele durante uma hora num camarote na favela durante um show do Molejo.
Na época do encontro, Marcinho já chefiava o tráfico local. Cerca de um mês depois, ele foi preso em Porto Alegre. Marcinho VP foi condenado a 44 anos de prisão — 10 por tráfico e outros 34 por mandar matar duas pessoas, crime que ele nega.

O traficante considera que sua transferência para o sistema penal federal, em 2007, foi uma decisão de Cabral. Ele está há 10 anos nos presídios de segurança máxima. Marcinho chama o ex-governador de “ladrão” e “traidor”.
De acordo com o texto, ele convidou o então candidato e sua comitiva para um camarote instalado para o show do Molejo com cerca de 100 líderes comunitários. Ele lembra que Cabral subiu a comunidade com “fôlego, vitalidade e confiança”. Marcinho conta que o ex-governador fez elogios a juventude do traficante: “O futuro do país pertence a vocês, jovens”, teria dito Cabral, segundo Marcinho.

A defesa do ex-governador nega o encontro. O advogado Rodrigo Henrique Roca Pires, que representa Cabral, afirmou que nunca houve essa reunião, nem ajuda do traficante na campanha.
Apoio à Lava-Jato
O traficante também faz reflexões sobre a política. Marcinho afirma que a Operação Lava-Jato é um “sopro de esperança que varre o país e reacende o sentimento de orgulho nas pessoas de bem”. Ele também afirma que a operação é um patrimônio da sociedade brasileira e diz que agora os poderosos sabem que ela representa o fim de uma era de impunidade. Marcinho VP também fez comentários sobre a UPP. Para ele, faltou o estado fornecer assistência social. Ele admite que o crime tem um forte componente social.
Embora seja negado esse encontro de Cabral com o traficante em busca de apoio político, fica uma lembrança de um Cabral que buscou apoio de milicianos. As declarações de Fernandinho Beira Mar veiculadas na imprensa, nos deixa a certeza que o dito por Marcinho VP tem uma verdade já bem conhecido de nossos políticos.
Os velhos traficantes já não existem ou estão presos e os que ganham a liberdade são assassinados quando voltam à comunidade onde viveram. O Estado narcotraficante dominou.

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