terça-feira, 29 de agosto de 2017

Carta ao Comando PMERJ.

Em carta, PMs criticam oficiais do comando da corporação após morte do 100º agente no RJ em 2017.


Agentes da PM que participaram do enterro do policial militar Fábio Cavalcante e Sá neste domingo(27), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, entregaram uma carta à equipe do Bom Dia Rio.
O texto faz duras críticas a dois oficiais do comando da corporação: o coronel Barracho, chefe do estado maior da PM; e o coronel Wanderby Braga de Medeiros, corregedor interno. A carta fala de más condições de trabalho, pede investigação para assassinatos de policiais e corrupção, entre outros temas.

Confira a íntegra do material:

"Ao excelentíssimo senhor chefe do estado maior da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro - Cel PM Baracho e ao excelentíssimo senhor corregedor interno da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, coronel Wanderby
Escrevemos essa mensagem na esperança que chegue aos senhores e que leiam com bastante atenção, pois tudo isso parte da tropa e não de um único policial.
Em primeiro lugar gostaríamos de parabenizá-los pela ascensão profissional e nomeação de cargos de extrema importância nesta bicentenária corporação, mas não obstante gostaríamos de nos pronunciar para que assim possamos ajudá-los a nos comandar (e comandar significa:).
De certo que somos um efetivo muito grande e chegamos a casa dos 50 mil policiais, mas infelizmente estamos morrendo diariamente, mas não os senhores (não lembro a ultima vez que um coronel morreu em confronto ou por ser reconhecido como policial) e deixamos claro que não queremos que vocês morram, pois não desejamos isso a nenhum sangue azul, mas queremos que vocês passem a enxergar o que a tropa está passando.
Não estamos vindo aqui para falar de 13º salário atrasado, meta em atraso, RAS em atraso, Proeis em atraso. Estamos aqui pra falar dos nossos óbices de verdade, como por exemplo a precariedade de nossos armamentos e aproveitamos a oportunidade para perguntarmos: 'Por que não distribuir os 500 fuzis doados pelas Forças Armadas?!' Ou os 15 mil coletes lacrados no CSM?! Por que vossas excelências não facilitam a compra de pistolas calibre .40?! Vamos além, por que não fazem como São Paulo ou Minas Gerais e doam esses armamentos para a tropa?! Já que uma pistola Taurus custa cerca de R$ 6 mil! Que precisamos usar, pois nos expomos diariamente no combate à criminalidade!


Questionamos o por quê de não empenhar os esforços da Corregedoria da Polícia Militar no combate aos verdadeiros MAUS POLICIAIS, como por exemplo: envolvidos com a milícia; ou com a contravenção (jogo do bicho ou maquininha); ou os envolvidos com o roubo de carga; ou os envolvidos com o tráfico?! Eles são tão intocáveis ou provocam tanto medo assim?! Para que sejam temidos pela nossa unidade correcional ou vocês recebem alguma vantagem por não virarem suas atenções para eles?! Por que não viram suas forças para combater os criminosos de policiais, tentar descobrir os autores dos assassinatos que tivemos esse ano?! Da muito trabalho?! Nos respondam, pois não sabemos!
Por que não coordenar operações com a força COE e os batalhões das áreas para cercar e estrangular o tráfico de drogas em comunidades que matam policiais?!
Ninguém está questionando que andar sem cobertura é transgressão da disciplina, mas voltar todo o esforço, tempo e efetivo para filmar policiais sem cobertura?! Não é uma inversão de prioridades absurda?! Podem nos corrigir se estivermos errados!


Se tudo funcionasse certo, salário, escala de serviço, carga horária, até pra viatura funcionar, os senhores são obrigados a contar conosco (os que vocês participam por falta de cobertura), pois se não dermos o nosso jeito, um amigo dono de uma oficina, ou concessionária, ou loja de peças automotivas (a quem ficamos devendo favor) as nossas viaturas, perdão, as suas viaturas nem iriam estar rodando, pois os batalhões recebem uma migalha de 2 mil reais por mês para toda a vida administrativa, ou seja, vocês chefes da polícia militar dependem de nós, a ponta da lança, porque sem estes milhares de homens e mulheres, vocês nada são.
Saudades dos tempos do Excelentíssimo Senhor Ex COMANDANTE GERAL da POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, que governou para tropa e para a sociedade e não para os seus caprichos ou mimos.
Gostaríamos de perguntar, se chegarmos a uma Delegacia da Polícia Civil e consultarmos os RG's dos senhores encontraremos pelo menos uma ocorrência com preso em flagrante (pra ajudar, pode ser em cumprimento de mandado de prisão), laçar boi de maneira incorreta não vale Cel Baracho, sabemos que os 30 anos do senhor no noroeste fluminense foram bem pacatos, por isso esperamos que entenda a diferença do 29º BPM para um 41º BPM, por exemplo, a realidade e a cultura são outras.
Isso também se estende ao Sr. CEL WANDERBY, pois por acaso, o senhor já entrou em uma unidade operacional convencional sem ser para fiscalizar, mas sim para servir e enfrentar todas as dificuldades?!
Por isso pedimos encarecidamente que revejam como vão conduzir a polícia militar, porque vamos começar a deixar tudo a cargo da unidade/PMERJ, o senhor sabia que as viaturas deveriam ter triângulo?! Luvas?! Saco para cadáveres?! Outras coisas mais, podemos passar a exigir o mínimo da administração e garantimos que será MUITO pra vocês darem conta.
Com essas atitudes vocês só estão incomodando os bons policiais, que sangram, trabalham, dão o suor pela sociedade fluminense e pela corporação e os verdadeiros maus policiais ainda estão à solta e alguns até próximo aos senhores.
No mais, gostaríamos de desejar toda paz do mundo e muita sorte nesta gestão, um abraço sincero da tropa.


Comandante-geral se diz aberto a reunião
Por telefone, o comandante-geral da PM, coronel Wolney Dias, afirmou que se o autor do texto quiser, pode marcar uma reunião com ele para debater sobre os temas. O coronel observou que a carta é "apócrifa" e que este texto circulou nas redes sociais há 15 dias atrás. Mas afirma que, sobre os coletes, que eles estão disponíveis à tropa, que vários policiais utilizam o colete com as inscrições da Senasp e que o comando da corporação estuda a possibilidade de distribuí-los sob cautela, individualmente, para cada policial militar.
"Não há transgressão disciplinar se os autores quiserem formar uma comissão para debatermos os assuntos tratados no texto apócrifo. Ações correcionais só devem preocupar os maus policiais. A corregedoria também tem por função apoiar e respaldar o bom policial em suas ações corretas. Tem sido preocupação constante do comando geral da corporação o bem estar de sua tropa, se esforçando ao máximo em minimizar os efeitos da crise econômica financeira por que passa o estado", disse Wolney.

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