terça-feira, 1 de agosto de 2017

Governo comemora inercia do povo.

Governo comemora falta de mobilização popular contra aumento de impostos.




A escassa mobilização popular contra o aumento de imposto anunciado pelo governo na semana passada teria dado sobrevida ao presidente Michel Temer no Congresso, onde sua base aliada confia que irá enterrar a denúncia por corrupção passiva na votação marcada para a quarta-feira que vem, no plenário da Câmara.

É unânime, entre integrantes do governo, a avaliação de que mais imposto é sempre negativo e "deve ser evitado" mas aliados de Temer acham que o gesto foi uma sinalização política para a base aliada. Teria mostrado que o governo está comprometido com o ajuste fiscal e reforça a autonomia da equipe econômica, apesar de questões políticas.

Há também a expectativa de que o aumento do dinheiro em caixa pode tirar o governo da “paralisia” e facilitar o repasse de verbas para deputados atuarem em suas bases eleitorais.
— Aumento de imposto é sempre uma coisa ruim. Mas, por outro lado, o governo ganha capacidade de investimento e isso anima os deputados porque dá a perspectiva de que haverá liberação de gastos, hoje muito contingenciados — afirmou um ministro, de forma reservada.

O líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE) reforça a tese. Ele disse que os líderes governistas sondaram os deputados sobre eventuais impactos da medida na votação e concluíram que, devido à falta de reações populares, não deverá haver mudanças nos votos pró-Temer.
— Há essa expectativa de que o resultado do aumento de imposto seja mais investimento. Não tem nenhum tipo de impacto na base, porque a base entende que a equipe econômica trabalha para manter o equilíbrio fiscal e a recuperação econômica. A população não quer saber de aumento de imposto mas não houve grande reação, manifestações, nada disso — afirmou Moura.

O Planalto acredita que o anúncio aumenta a pressão sobre o Congresso para que aprove a reforma da Previdência. Segundo integrantes do governo, o aumento de impostos teve que acontecer porque não havia de onde tirar dinheiro. Nessa lógica, a reforma da Previdência seria essencial para que o aumento no preço da gasolina possa ser revertido mais à frente, caso a economia dê sinais de recuperação.

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