sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Brasileiro sofre "overdose de escândalos políticos"

'Le Monde': Brasil virou um "vaudeville" onde povo sofre "overdose de escândalos políticos"
Le Monde: brasileiros estão sofrendo quase que uma overdose de escândalos de corrupção 

Jornal francês se refere a Michel Temer como "cadáver político"

Matéria publicada nesta sexta-feira (15) pelo Le Monde fala sobre as novas acusações do  procurador-geral da República Rodrigo contra o presidente Michel Temer.
O diário salienta: "Janot lançou sua última flecha ha alguns dias de deixar o cargo". 
Monde descreve Rodrigo Janot como "importante figura na luta contra a corrupção e um feroz caçador de políticos, além de lembrar que seu mandato expira dia 17.
Na acusação contra Michel Temer ao Supremo Tribunal, o procurador acusou o presidente de "participação em uma organização criminosa" e "obstrução da justiça".
Monde destaca a iniciativa de Janot como "histórica que, em um Brasil transformado em um vaudeville* onde os casos de dinheiro sujo se tornaram tão frequentes que acabaram parecendo algo normal".

Esta é a segunda denúncia apresentada em menos de dois meses contra o presidente e pode levar à sua demissão. A primeiro, por "corrupção passiva", foi bloqueada pelo Congresso, lembra o periódico. Graças ao apoio de um terço dos deputados, o chefe de Estado escapou de ir a julgamento.
Segundo os analistas, esta segunda acusação  poderia ter o mesmo destino. Monde lembra que Michel Temer é conhecido como mestre das negociações políticas. Em troca de favores, concedido aos deputados, particularmente aqueles descritos como "baixo clero", pertencentes a pequenos partidos, trocou apoio por medidas caras e polêmicos (destinados, por exemplo, a abrir reservas naturais para mineração).
"Para não ser afastado o presidente que se apresenta como um homem que está sofrendo e sendo "perseguido" por um promotor que lhe prometeu uma "inimizade capital", também se beneficia da pequena recuperação da economia.
O vespertino avança: "Para registro, o septuagenário é suspeito de ter comprado o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, como ele do Partido do Movimento Democrático Brasileiro, que está cumprindo uma pena de 15 anos de prisão".
"Michel Temer também é apresentado como o "chefe da organização" de uma extensa rede de distribuição de subornos. Entre seus capangas seria o chamado "o homem com a bolsa", Rocha Loures, suspeito de ter sido portador de uma maleta de 500 mil reais de subornos pagos pela JBS e seu ex-ministro Geddel Viera Lima, preso após a descoberta de um bunker de 51 milhões de reais.
Mas as últimas reviravoltas do caso JBS sugerem que o contratado teria previamente organizado um esquema com um membro do Ministério Público para fornecer elementos para escapar da própria prisão. Um vaudeville*, eles disseram.

No entanto, continua Le Monde, mesmo que Michel Temer escape de um julgamento, a flecha disparada por Rodrigo Janot continua sendo fatal. Apreciado por apenas 5% dos brasileiros, Michel Temer assume a aparência de um cadáver político. 
Se os mercados financeiros ainda acreditam nele, as reformas que ele pretende liderar parecem, se não comprometidas, pelo menos reduzidas. Tornando-se a encarnação da decadência de um antigo mundo político, onde tanto a esquerda como a direita estão mergulhadas em assuntos sombrios.
Para finalizar, Le Monde avalia que brasileiros estão sofrendo quase que uma overdose de escândalos de corrupção e as vezes preferem desviar seu olhar e tampar o nariz enquanto aguardam as eleições presidenciais de 2018.

* Vaudeville foi um gênero de entretenimento de variedades predominante nos Estados Unidos e Canadá do início dos anos 1880 ao início dos anos 1930, que misturava diversas atrações distintas e tinha como característica as reviravoltas.





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