sábado, 16 de setembro de 2017

Olympio Mourão Filho, o general que iniciou a Revolução de 1964


Olympio Mourão Filho (Diamantina, 9 de maio de 1900 – Rio de Janeiro, 28 de maio de 1972), general que iniciou a Revolução de 1964 partindo para o Rio de Janeiro à frente da tropa da 4ª Região Militar, de Juiz de Fora, no dia 31 de março daquele ano.


Mourão Filho foi ex-ministro e presidente do Superior Tribunal Militar até 1968.

Nos 45 anos de carreira militar, com a dedicação de uma vocação que fora capaz de vencer a severa resistência familiar, o general Olympio Mourão Filho, conseguiu também firmar uma imagem de inconformado, que o levaria a participar ativamente da derrubada de três regimes – em 1930, 1937 e 1964 – e a uma longa militância no movimento integralista.

Mas em abril de 1964, poucos dias depois de chegar ao Rio de Janeiro comandando as tropas da 4ª Região Militar, definiu-se com uma frase bem-humorada aos jornalistas que lhe perguntavam pelos rumos políticos da revolução vitoriosa: “Em política, eu sou uma vaca fardada.”


Em 1937, oficial do Estado-Maior do Exército, preparou um hipotético plano de tomada do poder pelos comunistas para estudo das contra-medidas que deveriam ser adotadas, em tal eventualidade. Batizado com o misterioso nome de Plano Cohen, esse trabalho acabou sendo apresentado como verdadeiro plano comunista, para justificar a implantação do Estado Novo.

Essa reconhecida autoria prejudicou sua carreira, pois a partir da redemocratização do país, em 1945, foi preterido em várias promoções. Apesar disso, foi na condição de general-de-divisão,em 1964, já próximo da reforma por limite de idade, que ele entrou a conspirar ativamente contra o governo Goulart.

O melhor elogio – Todos reconhecem ter sido sua decisão de deslocar as tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro que precipitou a vitória da revolução.


Promovido a general-de-exército por lei votada pelo Congresso Nacional, Mourão Filho foi logo depois nomeado ministro do Superior Tribunal Militar. Aposentado em 1970, o general, já sem farda, pareceu interessado em iniciar uma carreira política.
Inscreveu-se na Arena da Guanabara e passou muitos dias trancado no pequeno escritório de seu apartamento, na avenida Atlântica, lendo e anotando um surrado exemplar de “O Novo Estado Industrial”, do economista americano John Kenneth Galbraith, de onde pensava extrair a solução definitiva para a ineficiência administrativa brasileira: O Estado Gerencialista.

Olympio Mourão foi internado dia 16 de dezembro de 1971, na Casa de Saúde Dr. Eiras, da Guanabara, com trombose cerebral, quando revia os originais das suas memórias, prontas para publicação.


Uma trombose interrompeu o trabalho, em novembro de 1971, e o manteve no hospital, em coma, até a morte. Em seu enterro, muitos oradores lembraram o militar eficiente que ele foi e esqueceram o político que não chegou a ser. Mas foi o advogado Augusto Sussekind de Morais Rego, tradicional defensor de réus de crimes políticos, quem fez o elogio que certamente haveria de enchê-lo de orgulho: “Foi um juiz íntegro.”

(Fonte: Veja, 29 de dezembro de 1971 – Edição 173 – DATAS – Pág: 63)

(Fonte: Veja, 7 de Junho de 1972 – Edição 196 – MEMÓRIA – Pág: 23)

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