sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A Contra Revolução em São Paulo

São Paulo em guerra pela liberdade.
Reportagem do “Bureau” de “O CRUZEIRO” em São Paulo


Batalha da CTB acabou sem disparar um tiro
A Companhia Telefônica Brasileira foi ponto de uma pequena guerra particular.
Trinta e dois homens estavam lá dentro. Os policiais se dispõem a invadir o prédio.
Quando o conseguem, Nelson Gatto, a quem procuravam, tinha desaparecido.
Antes, porém, houve isolamento da área, pedidos de jornalistas aos policiais
super armados em favor de Nelson Gatto, que é também jornalista, e tudo acabou sem que um tiro sequer fosse disparado. A CTB foi dominada.


Ruas interditadas protegeram os democratas.
O problema dos transportes teve duas faces, durante a crise em São Paulo. De um lado, várias ruas da cidade foram interditadas ao trânsito, principalmente aquelas que davam acesso ou passavam bem próximas a lugares considerados de importância militar, como o Quartel General do II Exército e a Secretaria de Segurança Pública.
De outro lado, porém, meios mais rápidos de transporte foram utilizados para a movimentação das tropas, que tinham de atingir pontos estratégicos com rapidez, a fim de ganhar eficiência na operação de guerra. Tudo foi cumprido dentro de um plano rígido de segurança e de bom rendimento tático.
São Paulo viveu, assim, horas de guerra, ainda que não resultassem os movimentos e as medidas em nenhum choque verdadeiramente sangrento. O que havia de realmente desejado era que o País retornasse aos caminhos da Democracia e da paz. Isto foi conseguido.


Vitória da democracia foi festa de todo o povo de São Paulo
As horas de angustiante expectativa, quando as notícias mais desencontradas eram ouvidas pelo povo paulista, terminaram em festa, com a notícia muita certa da vitória das Forças democráticas.
O Governador Adhemar de Barros, que se mantivera sem descanso, sorriu satisfeito: a vitória da Democracia era, de certo modo, um pouco a sua vitória. Ele se pusera, desde o início, na posição de um batalhador irredutível de sua causa e São Paulo marchou coeso com ele, atendendo à sua palavra inflamada e patriótica.
Nas ruas, à hora final, o povo esteve presente, comemorando com papéis picados atirados do alto dos edifícios. De cada janela, pulsava um coração paulistano ao mesmo compasso da alegria de todos os corações brasileiros que desejavam o retorno do País à ordem.


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