quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Alguns Crimes do PCB


(Por F. Dumont)

Contam-se aos milhões os casos mundialmente conhecidos da violência comunista contra a pessoa humana, escudada num estranho valor moral que privilegia a revolução proletária em relação ao indivíduo, os fins justificando os meios. Afirma Merleau-Ponty:

"A astúcia, a mentira, o sangue derramado, a ditadura são justificados
se tornam possível o poder do proletariado e dentro desta medida
somente." ("Humanismo e Terror", Ed. Tempo Brasileiro, RJ, 1968,
página 13).

A violência, segundo a esquerda radical, seria válida se cometida em nome da classe operária e de seu representante, o Partido Comunista.
Lenin, em seu "testamento", havia indicado seis homens que poderiam substituí-lo na condução do Estado Soviético: Stalin, Zinoviev, Kamenev, Rykov, Bukharin e Trotsky.
Stalin, elegendo-se Secretário-Geral do PCUS, nunca conseguiu eliminar a
oposição que lhe faziam os grupos internos dirigidos pelos outros cinco.
Na década de 30, a URSS vivia sob o clima da ameaça de uma guerra mundial e da questão sobre se seria possível enfrentá-la com a existência de  uma oposição interna a Stalin, na cúpula do PCUS.
Os denominados "processos de Moscou" foram as respostas dessa questão e os opositores, sucessivamente, eliminados. Zinoviev e Kamenev foram fuzilados em 1936, Rykov em 1937, Bukharin em 1938 e Trotsky, que já estava banido da URSS desde 1929, foi assassinado em 1940, no México.
E isto para citar, apenas, alguns dirigentes.

Torna-se difícil, entretanto, imputar a Stalin a única culpa pelos crimes, como desejava Trotsky. Em um regime que dá a uma classe um poder total e ditatorial, qualquer homem poderia utilizá-lo sobre as demais parcelas da sociedade.
Alguns anos mais tarde, Tito, chefe do governo iugoslavo, afirmaria que os erros e os crimes cometidos resultavam mais do sistema soviético do que das falhas morais do ditador, cuja ascensão tal sistema proporcionou.
No Brasil, fanatizados pela mesma ideologia e animados pelos mesmos propósitos indecifráveis que os conduziram à Intentona de 1935, os comunistas deram seguidas demonstrações de inaudita violência, ao perpetrarem crimes, com requintes de perversidade, para eliminar, não só seus "inimigos", as forças policiais, mas seus próprios companheiros.

O Tribunal Vermelho, criado para julgar, sumariamente, todos aqueles que lhes inspiravam suspeitas e receios, arvorava-se em juiz e executor, fornecendo, ao PCB, um espectro trágico e patético.
Pelos casos conhecidos, pode-se inferir, também, que dezenas de outros crimes foram cometidos pelos comunistas, sem que houvessem vindo a público, escondidos pela "eficiência do trabalho executado".
Os casos a seguir relatados mostram, de um modo pálido, mas irretorquível, essa violência levada aos limites do absurdo.
As famílias das vítimas não tiveram, como ainda não os têm, o reconhecimento e o amparo da sociedade.
Aos assassinados, cabe a afirmação de Merleau-Ponty:
"Admitir-se-á talvez que eles eram indivíduos e sabiam o que é a
liberdade. Não espantará se, tendo que falar do comunismo, nós
tentamos vislumbrar, através nuvem e noite, estes rostos que se
apagaram da terra." (Idem, página 32).

Assassinato de Bernardino Pinto De Almeida
Em 1935, ainda antes da Intentona, Honório de Freitas Guimarães ("Milionário"), membro do CC/PCB, denunciou Bernardino Pinto de Almeida, vulgo "Dino Padeiro", de traição.
O "Tribunal Vermelho", cioso de suas atribuições, julgou-o culpado e perigoso para a ação armada que se avizinhava.
O próprio Secretário-Geral do Partido, Antonio Maciel Bonfim, o "Miranda",
decidiu executá-lo, com o auxílio de seu cunhado, Luiz Cupelo Colônio.
"Dino Padeiro", deslumbrado com a possibilidade de encontrar-se com o número um do Partido, foi atraído para um local ermo, próximo à então estação de Triagem da Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
Fora das vistas, "Miranda" desfechou-lhe uma coronhada e, em seguida, dois tiros de revólver. Tendo a arma enguiçado, tomou a de Cupelo e desfechou-lhe mais dois tiros, para ter a certeza da morte.
Entretanto, por incrível que pareça, "Dino" sobreviveu e, socorrido por funcionários da ferrovia, pôde contar sobre a tentativa de crime.
Ironicamente, o destino deu voltas.
Mais tarde, Cupelo sentiria, em sua própria família, o peso da violência.

Assassinato de Afonso José Dos Santos
Em 2 de dezembro de 1935, com os militantes do PCB entrando na clandestinidade pela derrota da Intentona, o Tribunal Vermelho julgou e condenou à morte Afonso José dos Santos.
A vítima foi delatada por José Emídio dos Santos, membro do Comitê Estadual do PCB no Rio de Janeiro, que recebeu o encargo da execução.
Três dias depois do julgamento, José Emídio cometia o assassinato, na garagem da Prefeitura de Niterói.
Impronunciado por falta de provas, só em 1941 o crime foi esclarecido.

Assassinato de Maria Silveira
Elisiário Alves Barbosa, militante do PCB, quando estava na clandestinidade em São Carlos, cidade do interior paulista, apaixonou-se pela também militante Maria Silveira, conhecida como "Neli".
Indo para o Rio de janeiro, o próprio Elisiário, após algum tempo de militância, acusou "Neli" de não mais merecer a confiança do Partido.
O "Tribunal Vermelho" condenou-a à morte.
Planejado o crime, os militantes Ricarte Sarrun, Antonio Vitor da Cruz e Antonio Azevedo Costa levaram-na, em 6 de novembro de 1940, até à Ponte do Diabo, na Estrada do Redentor, na Floresta da Tijuca.
No transporte, usaram o táxi dirigido por Domingos Antunes Azevedo, conhecido por "Paulista".
Logo ao chegar, "Neli" foi atirada da Ponte do Diabo por Diocesano Martins, que esperava no local. Mas, havia a possibilidade de que ela não morresse na queda.
Para certificar-se da morte, Daniel da Silva Valença aguardava no fundo do abismo.
"Neli", entretanto, já chegou morta. Foi esquartejada por Valença, que procurou torná-la irreconhecível a fim de dificultar a identificação e apagar possíveis pistas.

Assassinato de Domingos Antunes Azevedo
Dois meses depois, os assassinos de "Neli" estavam preocupados com a possível descoberta do crime.
Em 20 de janeiro de 1941, reunidos, verificaram que o ponto fraco era o motorista do táxi, Domingos Antunes Azevedo.
Decidiram eliminá-lo.
Antonio Vitor da Cruz e Antonio Azevedo Costa, "amigos" do motorista, atraíram-no para um passeio na Estrada da Tijuca. Foram também, Diocesano Martins e Daniel da Silva Valença, este sentado ao lado do motorista.
Num local em que o táxi andava bem devagar, Diocesano desfechou três tiros na vítima, que tombou de bruços sobre o volante.
Valença freou o carro e o cadáver foi atirado à margem da estrada.
Segundo eles, os assassinatos de "Neli" e do "Paulista", em nome do Partido
Comunista, jamais seriam descobertos.
Esses foram alguns dos crimes cometidos pelo PCB, há mais de 60 anos. Mais tarde, muito mais tarde, esse Partido de Prestes não iria juntar-se às dezenas de organizações comunistas que defenderiam a sangrenta luta armada como o único caminho para a tomada do poder.

Assassinato de Elza Fernandes
Desde menina, Elvira Cupelo Colônio acostumara-se a ver, em sua casa, os
numerosos amigos de seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Nas reuniões de
comunistas, fascinava-se com os discursos e com a linguagem complexa daqueles que se diziam ser a salvação do Brasil. Em especial, admirava aquele que parecia ser o chefe e que, de vez em quando, lançava-lhe olhares gulosos, devorando o seu corpo adolescente. Era o próprio Secretário-Geral do PCB, Antonio Maciel Bonfim, o Miranda.
Em 1934, então com 16 anos, Elvira Cupelo tornou-se a amante de Miranda passou a ser conhecida, no Partido, como Elza Fernandes ou, simplesmente, como a garota. Para Luiz Cupelo, ter sua irmã como amante do secretário-geral era uma honra. Quando ela saiu de casa e foi morar com o amante, Cupelo viu que a chance de subir no Partido havia aumentado.
Entretanto, o fracasso da Intentona, com as prisões e os documentos apreendidos, fez com que os comunistas ficassem acuados e isolados em seus próprios aparelhos.
Nos primeiros dias de janeiro de 1936, Miranda e Elza foram presos em sua
residência, na Avenida Paulo de Frontin, 606, Apto 11, no Rio de Janeiro. Mantidos separados e incomunicáveis, a polícia logo concluiu que a garota pouco ou nada poderia acrescentar aos depoimentos de Miranda e ao volumoso arquivo apreendido no apartamento do casal. Acrescendo os fatos de ser menor de idade e não poder ser processada, Elza foi liberada. Ao sair, conversou com seu amante que lhe disse para ficar na casa de seu amigo, Francisco Furtado Meireles, em Pedra de Guaratiba, aprazível e isolada praia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Recebeu, também, da polícia, autorização para visitá-lo, o que fez por duas vezes.
Em 15 de janeiro, Honório de Freitas Guimarães, um dos dirigentes do PCB, ao telefonar para Miranda surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado do aparelho, uma voz estranha. Só nesse momento, o Partido tomava ciência de que Miranda havia sido preso. Alguns dias depois, a prisão de outros dirigentes aumentou o pânico.
Segundo o PCB, havia um traidor. E o maior suspeito era Miranda.
As investigações do Tribunal Vermelho começaram. Honório descobriu que Elza estava hospedada na casa do Meireles, em Pedra de Guaratiba. Soube, também, que ela estava de posse de um bilhete, assinado por Miranda, no qual ele pedia aos amigos que auxiliassem a garota. Na visão estreita do PCB, o bilhete era forjado pela polícia, com quem Elza estaria colaborando. As suspeitas transferiram-se de Miranda para a garota.
Reuniu-se o Tribunal Vermelho, composto por Honório de Freitas Guimarães,
Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos e José Lage Morales.
Luiz Carlos Prestes, escondido em sua casa da Rua Honório, no Méier, já havia decidido pela eliminação sumária da acusada. O Tribunal seguiu o parecer do chefe e a garota foi condenada à morte. Entretanto, não houve a desejada unanimidade:
Morales, com dúvidas, opôs-se à condenação, fazendo com que os demais
dirigentes vacilassem em fazer cumprir a sentença. Honório, em 18 de fevereiro, escreveu a Prestes, relatando que o delator poderia ser, na verdade, o Miranda.
A reação do Cavaleiro da Esperança foi imediata. No dia seguinte, escreveu uma carta aos membros do Tribunal, tachando-os de medrosos e exigindo o cumprimento da sentença. Os trechos dessa carta de Prestes, a seguir transcritos, constituem-se num exemplo candente da frieza e da cínica determinação com que os comunistas jogam com a vida humana:

"Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de
vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe
revolucionária." ... "Por que modificar a decisão a respeito da "garota"?
Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte
dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido...?" ... "Com plena
consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes
tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em
minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar..." ...
"Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a
linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a
responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas
extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática,
ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião."

Ante tal intimação e reprimenda, acabaram-se as dúvidas. Lauro Reginaldo da Rocha, um dos tribunos vermelhos, respondeu a Prestes:

"Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a
questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo
colocamos os interesses do P."

Decidida a execução, Elza foi levada, por Eduardo Ribeiro Xavier (Abóbora), para uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães (Milionário), Adelino Deycola dos Santos (Tampinha), Francisco Natividade Lira (Cabeção) e Manoel Severino Cavalcanti (Gaguinho).
Elza, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram à sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 centímetros pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a garota, que se debatia desesperadamente, tentando salvar-se. Poucos minutos depois, o corpo de Elza, com os pés juntos à cabeça, quebrado para que ele pudesse ser enfiado num saco, foi enterrado nos fundos da casa. Eduardo Ribeiro Xavier, enojado com o que acabara de presenciar, retorcia-se com crise de vômitos.
Perpetrara-se o hediondo crime, em nome do Partido Comunista.
Poucos dias depois, em 5 de março, Prestes foi preso em seu esconderijo no Méier.
Ironicamente, iria passar por angústias semelhantes, quando sua mulher, Olga Benário, foi deportada para a Alemanha nazista.
Alguns anos mais tarde, em 1940, o irmão de Elza, Luiz Cupelo Colônio, o mesmo que auxiliara Miranda na tentativa de assassinato do Dino Padeiro, participou da exumação do cadáver. O bilhete que escreveu a "Miranda", o amante de sua irmã, retrata alguém que, na própria dor, percebeu a virulência comunista:

"Rio, 17-4-40"
Meu caro Bonfim
Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira.
Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da
confissão que elementos de responsabilidade do PCB fizeram na polícia
de que haviam assassinado minha irmã Elvira. Diante disso, renego meu
passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas.
Do teu sempre amigo, Luiz Cupelo Colônio".

Os Mortos pela Intentona Comunista de 1935
Abdiel Ribeiro dos Santos - 3º Sargento
Alberto Bernardino de Aragão - 2º Cabo
Armando de Souza Mello – Major
Benedicto Lopes Bragança – Capitão
Clodoaldo Ursulano - 2º Cabo
Coriolano Ferreira Santiago - 3º Sargento
Danilo Paladini – Capitão
Fidelis Batista de Aguiar - 2º Cabo
Francisco Alves da Rocha - 2º Cabo
Geraldo de Oliveira – Capitão
Jaime Pantaleão de Moraes - 2º Sgt
João de Deus Araújo - Soldado
João Ribeiro Pinheiro – Major
José Bernardo Rosa - 2º Sargento
José Hermito de Sá - 2º Cabo
José Mário Cavalcanti – Soldado
José Menezes Filho – Soldado
José Sampaio Xavier - 1º Tenente
Lino Vitor dos Santos – Soldado
Luiz Augusto Pereira - 1º Cabo
Luiz Gonzaga – Soldado
Manoel Biré de Agrella - 2º Cabo
Misael Mendonça -T.Coronel
Orlando Henrique – Soldado
Pedro Maria Netto - 2º Cabo
Péricles Leal Bezerra – Soldado
Walter de Souza e Silva - Soldado
Wilson França - Soldado

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