terça-feira, 28 de novembro de 2017

Já estão cutucando o "esfincter" anal de Pezão

Empreiteiro aponta que secretário de Obras do RJ recebeu mais de R$ 1 milhão em propina.

Acordo de leniência faz parte da operação C'est Fini, que investiga fraudes no DER. Segundo documento, esquema de pagamentos de propina no governo do RJ continuou na gestão de Pezão.

Trechos de um novo acordo de leniência mostram que o esquema de pagamentos de propina no governo do Rio continuou na gestão de Luiz Fernando Pezão. De acordo com Marcos Andrade Barbosa Silva, que é diretor da empresa União Norte, o atual secretário estadual de Obras do Rio, José Iran, recebeu mais de R$ 1 milhão em propina.
O acordo de leniência (espécie de delação premiada de uma empresa) faz parte da operação C'est Fini, que investiga fraudes no Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Na quinta-feira (23), a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do DER, Henrique Alberto Santos Ribeiro, o ex-secretário de Casa Civil da gestão Sérgio Cabral, Régis Fichtner, e outras três pessoas por envolvimento em esquemas de propina.
Segundo depoimento do empreiteiro Marcos Andrade, o atual secretário de Obras passou a cobrar no máximo 1% sobre o valor dos contratos, e não mais 6% como era na gestão anterior. O delator Marcos Andrade é diretor comercial da empreiteira União Norte Fluminense Engenharia e Comércio Limitada, empresa responsável por obras na na RJ-186, estrada que liga as cidades de Santo Antônio de Pádua a Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense.
A propina, segundo o empreiteiro, era paga ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e ao Governo. No depoimento, ele cita o ex-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem e o presidente afastado do TCE, Aloysio Neves, que está em prisão domiciliar. Ele diz que na RJ-186, por ser uma obra muito cara, negociou 0,5% do valor total do contrato. E afirmou ainda que Henrique Ribeiro mandou pagar diretamente a Aloisio Neves o valor de R$ 1,1 milhão. O pagamento, segundo ele, foi realizado em parcelas entre março e junho de 2014.
Marcos Andrade diz que com a saída de Sérgio Cabral e a entrada de Luiz Fernando Pezão em 2015, José Iran passou a acertar os pagamentos. Ele diz que a obra estava parada e procurou o secretário para que o governo liberasse o dinheiro e que pudesse acertar os novos percentuais de propina ao secretário.
O delator afirmou que estava preocupado com a Lava Jato e acordou baixar o valor de 6% para 1%. Segundo o delator, esse 1% representou cerca de R$1,1 milhão pagos entre abril de 2015 e meados de 2016. A delação aponta que a partir de 2015 os pagamentos passaram a ser feitos na casa do secretário, na Barra da Tijuca.
O secretário José Iran Peixoto Júnior disse que a acusação é absurda e não tem fundamento, uma vez que a gestão da obra foi do Departamento de Estradas e Rodagem.



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