Nesta terça-feira (2) completam
cinco dias da prisão de Jonatan Moisés Diniz. O catarinense de 31 anos foi
detido no dia 28 de dezembro pelas forças de segurança da Venezuela, no estado
de Vargas. Segundo a agência oficial de notícias do governo, ele é acusado de
manter atividades desestabilizadoras contra o regime de Nicolás Maduro.
O
anúncio da prisão foi feito pelo parlamentar socialista Diosdado Cabello no
programa que dirige no canal estatal VTV. Além de Jonatan, foram presos outros
três venezuelanos. Eles fariam parte da Organização Não Governamental Time to
Change the Earth (“tempo de mudar a Terra”, na tradução em português).
Para
o governo, a entidade seria uma “organização criminosa com tentáculos
internacionais”, que distribuiria alimentos e bens a moradores de rua com o
objetivo de obter recursos em moeda nacional com vistas a promover ações contra
o governo.
"Sabemos
que esse tipo de ações da CIA (Agência Central de Inteligência), em outras
ocasiões e em outros países, são fachadas para percorrer o país, identificar
objetivos estratégicos, financiar terroristas e outros", afirmou Cabello
em seu programa.
Desde o início de abril de 2017, dezenas de milhares de venezuelanos foram às ruas para protestar contra o crescente autoritarismo do governo, que respondeu com brutal repressão. As forças de segurança atiraram contra manifestantes à curta distância com munições de controle de distúrbios, atropelaram manifestantes, espancaram brutalmente pessoas que não demonstraram resistência e invadiram casas de pessoas suspeitosamente da oposição. As forças de segurança também prenderam arbitrariamente centenas de manifestantes, transeuntes e críticos – e os processaram em tribunais militares.
Negociações
O
governo brasileiro tenta, por meio do Ministério das Relações Exteriores,
negociar a libertação de Jonatan. O Itamaraty informou à Agência Brasil que
o consulado do Brasil em Caracas mantém tratativas com o governo venezuelano
“para prestar a assistência consular cabível”, mas explicou que não divulgaria
informações pessoais “em respeito à privacidade do brasileiro”.
A
interlocução é feita pelo corpo diplomático que permaneceu no país, uma vez que
nenhum dos dois chanceleres estão no exercício de suas funções. No dia 23, a
Assembleia Nacional Venezuelana declarou o embaixador Ruy Pereira pessoa não
grata, o equivalente no campo diplomático a uma expulsão, por considerar que
houve uma ruptura constitucional com o impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Em
resposta, o governo brasileiro adotou a mesma medida no dia 26 do mesmo mês em
relação ao principal dirigente da representação venezuelana, Girard Antônio
Maldonado.
Doações e críticas
Em
seu perfil no Facebook, Jonatan Diniz publicou diversos pedidos de doações para
a organização, que seriam revertidas para ações de caridade a crianças de baixa
renda. O catarinense morava nos Estados Unidos, mas viajava à Venezuela para
essas iniciativas. Antes, residiu alguns meses em Quito, no Equador, e autuou
com a produção de vídeos para um canal no YouTube.
Em
uma publicação de 19 de junho, Diniz critica o governo Maduro. “A Venezuela
chega a seu dia número 80 de luta nas ruas contra a ditadura. O governo, ao
invés de comprar medicamentos para seu povo morrendo nos hospitais e de fome
pelas ruas, acaba de gastar mais dinheiro em tanques de guerra para usar contra
seu próprio povo que luta por sua liberdade”, comentou.
ONG
A
ONG Time to Change the Earth não tem website.
Suas contas no Facebook e Instagram foram criadas há alguns meses. A página no
Facebook começou a ter publicações no dia 26 de novembro de 2017, sem nenhuma
mensagem além de logomarcas. A entidade se define como uma organização que
“conecta outras ONGs do mundo distribuindo comida, medicamentos, brinquedos e
uma filosofia de vida nova”.
No
Instagram, a conta também é recente, com 24 posts, repetindo os chamados para doações. O
repasse dos recursos era feito por meio de um número do mensageiro Whatsapp, e
não por meios de pagamento, normalmente usados por outras entidades
assistenciais.
Família
O
pai de Jonatan, Luiz Francisco Diniz, divulgou diversas mensagens nas redes
sociais pedindo às autoridades providências sobre o caso. “Jonatan e sua
família pedem ajuda: liberte esse brasileiro”. A mãe do brasileiro, Renata
Diniz, disse em entrevistas à imprensa que acredita na libertação por
considerar que não há motivo para a prisão.

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