A bem da verdade, para a Justiça, não há quaisquer dúvidas a
respeito dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro praticados pelo
ex-presidente no exercício do mandato. Isso não está mais em discussão.
É o que
se pode inferir das palavras de um dos desembargadores do TRF4 antes de
proferir seu voto: “O julgamento dessa turma põe fim à discussão acerca da
matéria de fato. Restando, eventualmente, se houver recurso aos tribunais
superiores, exame de questão de direito, mas não mais, a rigor, questões de
fato”.
Não há
como desconsiderar que o réu está envolvido em diversos outros processos e que
outras condenações semelhantes estão por vir.
Como
falar, então, em candidatura ou pré-candidatura deste cidadão a cargo político
e pior, ao mais alto cargo da Nação, o mesmo em que foram cometidos os crimes
agora julgados e muitos outros ainda por serem?
Será que
raciocinam com as consequências para nosso país, aqueles que ainda avaliam
pública e insistentemente hipóteses que tornem viável o exercício da
Presidência da República do Brasil por um condenado? E me refiro, em especial,
a instituições como a mídia, políticos e setores do próprio judiciário. Será
que isso é bom para uma democracia sempre em busca de se consolidar? Não seria
muito mais racional abrir espaço para discutir os danos decorrentes de tal
situação?
Será que
por um momento imaginam as dificuldades de relacionamento de toda a ordem com
as demais nações? E o constrangimento e grau de confiança de um chefe de estado
ao negociar com seu colega condenado pela prática de crimes tão graves? E como
exerceria sua liderança, tal governante, sobre instituições como as Forças
Armadas, só por exemplo, basicamente calcadas na disciplina e no cumprimento
das leis?
Pelos
podres poderes remanescentes, ainda consideráveis, acumulados graças ao uso
criminoso do governo, pelo seu perfil populista, que ainda lhe garante
significativo índice de aceitação, sobretudo nas camadas menos esclarecidas e,
também, pela extensão incomparável dos crimes cometidos – “principal
articulador do esquema de corrupção do seu governo”- é, de longe, o
ex-presidente, a principal figura dessa funesta geração de políticos,
independente de coloração partidária.
Sua
exemplar punição, sobretudo, abrirá caminho, e até certa jurisprudência, para
um acerto de contas com todos os demais que não honraram seus cargos eletivos.
Um golpe mortal na corrupção. O contrário seria nossa maior tragédia.
General Gilberto Rodrigues Pimentel, Presidente do Clube Militar

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