Interventor quer atacar corrupção na PM e auditar Secretaria de Segurança.
Braga Netto planeja apertar o cerco a oficiais da PM responsáveis por batalhões
O interventor federal na segurança do
Rio, general Walter Souza Braga Netto, planeja apertar o cerco a oficiais da PM
responsáveis por batalhões que têm casos identificados de corrupção policial ou
altos índices de criminalidade. Tenentes-coronéis da PM poderão ser trocados se
não entregarem resultados esperados. E haverá auditoria em diversos setores da
segurança estadual, como logística, administração e finanças, planejamento e
operações.
Essas são algumas das estratégias que
vêm sendo delineadas pelo interventor, que, oficialmente, não detalha quais
metas pretende atingir. Nesta terça-feira, 27, em sua primeira entrevista
coletiva no Rio, Braga Netto afirmou apenas que espera reduzir a criminalidade
em todo o Estado e fortalecer as corregedorias para combater a corrupção
policial. "Nossa intenção é fortalecer as corregedorias e tomar
providências para que o bom profissional seja valorizado e o mau,
penalizado", disse. Procurada pela reportagem, a PM não se manifestou.
Neste primeiro momento, a equipe de
Braga Netto se debruça sobre índices de criminalidade do Estado. Quer, com base
nas "manchas criminais" - mapas que apresentam áreas com mais
incidência de crimes -, cobrar resultados dos oficiais superiores dos
batalhões. Os militares entendem que é preciso reforçar a hierarquia e a
disciplina na PM. Segundo contou à reportagem um oficial do Exército, a
mensagem é "não rezou a cartilha, será substituído".
O chefe do gabinete de intervenção,
general Mauro Sinott, disse que os dados do Instituto de Segurança Pública
(ISP), responsável pelas estatísticas oficiais e que têm como origem os
registros da Polícia Civil, são auditados e confiáveis. Braga Netto chancelou:
"Com relação à transparência, vocês não precisam se preocupar, porque o
sistema será transparente. O instituto vai continuar e aprimorar seu trabalho,
os resultados continuarão sendo divulgados".
Efetivo
e veículos
Outro foco será a recomposição do
efetivo da PM, por meio do resgate de policiais que hoje estão cedidos a outros
órgãos, e também da frota de veículos usada no patrulhamento, que está
sucateada. Antes da intervenção, a Secretaria de Segurança tentava recompor o
efetivo e os veículos, mas faltou dinheiro - o Rio decretou calamidade nas
finanças em junho de 2016.
Questionado, Braga Netto disse não ter
informações sobre os recursos para as ações. "No momento, temos o que está
previsto no decreto: recursos de segurança pública já existentes no Estado, e
Brasília nos dará um aporte. Mas eu ainda não tenho as informações de
valores."
Por enquanto, o interventor deixará
apenas as Polícias Civil e Militar nas ações diretas de investigação e
patrulhamento ostensivo em áreas de confronto. As Forças Armadas continuarão
prestando apoio operacional em cercos e desobstruções de vias. É o que vem
sendo feito desde 2017, quando foi iniciada mais uma operação de Garantia da
Lei e da Ordem (GLO) no Rio.
Os militares têm feito blitz em
estradas e checagem de eventuais prontuários criminais de moradores em zonas de
confronto, na busca por procurados pela Justiça. Nesta terça, 500 homens
atuaram em duas favelas da zona oeste: Vila Aliança, em Bangu, e Coreia, em
Senador Camará. Não houve abordagens nem confrontos, só a retirada de barreiras
supostamente instaladas por bandidos para impedir o trânsito de agentes de segurança.
Durante a operação, iniciada às 8h,
foram usadas 15 máquinas de engenharia, como caminhões e tratores, e 60
viaturas das Forças Armadas, segundo o Comando Militar do Leste. Ninguém foi
detido, mas a ação repercutiu entre moradores das duas comunidades, que
postaram imagens e comentários nas redes sociais.
O interventor não planeja que os
militares assumam a dianteira das operações, como ocorreu na época da ocupação
do complexo de favelas da Maré. Mas a avaliação de oficiais próximos a Braga
Netto é que ele seguirá as palavras do presidente Michel Temer, que disse que
os militares devem "partir para o confronto se houver necessidade".
Assim, não está descartado que as tropas voltem a cumprir mandados de busca e
apreensão, realizar capturas e patrulhamento.
Ainda nesta terça, Braga Netto se
reuniu com secretários de Segurança de São Paulo, Espírito Santo e Minas por
mais de duas horas. Os Estados pediram celeridade e integração na área de
inteligência para poder acionar os respectivos aparatos policiais nas divisas,
quando necessário.
A DIP que se prepare para receber inúmeros oficiais pedindo Reserva!

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