10 desafios do General Braga Netto para
tirar o Rio da crise de segurança.
Ao ser nomeado interventor federal na segurança do Rio
de Janeiro, o general Walter Souza Braga Netto herdou problemas que vão do
controle territorial do crime organizado sobre favelas à corrupção e às
deficiências do Estado.
Para tentar tirar o Rio da crise de
segurança até 31 de dezembro, quando termina o período de intervenção, ele vai
ter que mexer na estrutura e na organização das polícias, evitar que os
criminosos controlem serviços públicos nas favelas e aumentar a eficiência e a
integração dos setores de inteligência das forças de segurança.
Ouvidos militares envolvidos no
planejamento das ações, policiais e especialistas em segurança e listou dez dos
principais desafios que o general terá que enfrentar.
1 - Fazer mudanças na estrutura das
polícias.
Braga Netto terá que mexer nos quadros das polícias para colocar
pessoas de sua confiança em postos-chave. Elas terão que conhecer bem o
trabalho e a cultura organizacional das instituições. Nesse processo, ele terá
que tirar da estrutura policiais e administradores corruptos ou ineficientes,
mas sem perder o apoio das polícias. Seu perfil conciliador pode ajudar nessa
tarefa, segundo afirmaram militares próximos a ele.
2 - Comprar equipamentos e melhorar gestão.
O interventor precisará melhorar o desempenho de órgãos como a Polícia Militar,
a Polícia Civil, a Secretaria da Segurança Pública, entre outros. Para isso,
terá que comprar mais equipamentos, pois
há déficits de veículos, coletes à prova de balas e outros equipamentos.
Além disso, terá que fazer um mapeamento
dos procedimentos dessas instituições e melhorar a gestão de recursos e a
administração financeira dos órgãos.
3 - Integrar o trabalho das polícias Civil
e Militar.
Hoje, há muitas falhas na integração entre
as Polícias Militar e Civil no Rio. Procedimentos e equipamentos são diferentes
e dificultam a comunicação. As duas instituições também têm órgãos com funções
semelhantes e por vezes discutem por causa de problemas de jurisdição.
Policiais civis reclamam que o Estado teria
dado nos últimos anos um foco excessivo para o policiamento ostensivo da PM,
sem investir nas investigações da Civil. Os policiais ficariam atolados em
serviços burocráticos para registrar as prisões da PM.
Já os policias militares afirmam que a
Civil às vezes dificulta seu trabalho por demorar para registrar ocorrências e
mantê-los desnecessariamente por muito tempo em delegacias.
Por outro lado, funciona desde 2013 na
capital o Centro Integrado de Comando e Controle, criado para a Copa do
Mundo-2014 e a Olimpíada-2016. Ele tenta reunir em um único espaço autoridades
de segurança federais, estaduais e municipais para melhorar a integração. Braga
Netto pode se beneficiar por ter trabalhado junto com as polícias cariocas na
organização da Rio-2016.
4 - Melhorar o trabalho de inteligência.
O Rio tem uma das melhores bases de dados
do país, gerenciada pelo ISP (Instituto de Segurança Pública). Conta também com
a expertise do Disque Denúncia, que sistematiza e encaminha denúncias feitas
pela população à Secretaria de Segurança Pública. Mas há pouco investimento no
treinamento de agentes para filtrar esses dados e na própria tecnologia em si,
que não é integrada.
A inteligência, diz a antropóloga e
especialista em comunicação Jacqueline Muniz, não chega até o policial na
ponta, não há trocas entre as corporações.
No ano passado, relatam policiais, a
empresa responsável pela manutenção do sistema de dados da Polícia Civil passou
seis meses sem receber e chegou a suspender o serviço, interferindo tanto no registro
de ocorrências quanto no quanto no acesso dos agentes às bases de dados de
informação. O sistema, diz o presidente do Sindelpol-RJ (Sindicato dos
Delegados de Polícia do Rio de Janeiro), Rafael Barcia, já é por natureza lento
e cai com frequência.
O general Braga Netto é especializado em
ações de inteligência por ter trabalhado nesse setor do Exército por muitos
anos.
5 - Recuperar os territórios dominados pelo
tráfico.
O Rio, diz a socióloga e coordenadora do
Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Cândido
Mendes, Silvia Ramos, é o único local do país em que criminosos têm domínio
sobre territórios da cidade. Não é incomum cruzar com barricadas e homens
fortemente armados "guardando" a entrada de favelas.
"Você entra em uma favela e é recebido
por alguém com um fuzil que vai perguntar quem é você, para onde você vai. Vai
ter domínio sobre a vida das pessoas", afirma.
A retomada dos territórios ocupados pelo
tráfico foi um dos embriões do projeto das UPPs (Unidades de Polícia
Pacificadora), hoje em declínio. O desafio do general será não apenas recuperar
o controle de segurança dessas áreas, mas fazer com que serviços básicos, como
fornecimento de luz, água e gás cheguem à população sem interferência do crime
organizado. Hoje, muitos desses serviços são controlados por criminosos e membros
de milícias.
6 - Prender as lideranças criminosas.
Em 2017, o conflito entre traficantes
rivais em favelas do Rio voltou a levar às manchetes nomes de traficantes
"famosos". Na ocasião, Rogério Avelino Silva, o "Rogério
157" e Antônio Francisco Bonfim Lopes, o "Nem", disputaram o
controle da favela da Rocinha. O conflito deflagrou uma onda de violência que
culminou na ocupação do morro pelas Forças Armadas e deixou dezenas de mortos.
Braga Netto terá que impedir que a velha
dinâmica dos chefões do tráfico volte a dominar o Rio. Para isso, precisará
investir em ações de inteligência que levem à prisão desses criminosos antes
que acumulem poder.
7 - Combater as milícias.
Além da ação de traficantes de drogas,
parte do Rio é assolado por outra força ilegal pouco comum em outros Estados –
as milícias. Trata-se de grupos paramilitares formados por maus policiais,
bombeiros e civis que exploram serviços como distribuição e gás e TV a cabo em
zonas carentes, em especial na zona oeste da capital e na Baixada Fluminense.
Após ocuparem territórios dominados no fim
dos anos 1990 por traficantes de drogas, os grupos passaram a cobrar da
população taxas de serviços básicos e também proteção aos comerciantes, além de
dominar a venda de combustíveis e o transporte com vans.
"A dificuldade de lidar com a milícia
é que ela é muito mais entranhada na sociedade, é mais difícil de reconhecer
quem são os milicianos, de investigar. Pode ser qualquer um", diz o
delegado Rafael Barcia.
8 - Reduzir os roubos de cargas.
Essa modalidade de crime é uma das que mais
vem preocupando as autoridades do Rio. Em 2016, o Estado atingiu a maior taxa
de roubos de carga do país, com 59,3 casos por 100 mil habitantes.
Ações contínuas dos bandidos quase causaram
um desabastecimento da capital no início de 2017, pois seguradoras pararam de
fazer seguros para fretes na cidade e as transportadoras reduziram suas
atividades.
Ações integradas das forças de segurança em
rodovias fizeram essa modalidade de crime cair 5,4%, passando de 5.726 casos no
segundo semestre de 2016 para 5.419 ocorrências no mesmo período de 2017. A
redução foi apresentada pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, como um dos
principais avanços no combate à criminalidade relacionados à presença das
Forças Armadas no Rio. O número, porém, ainda assusta.
9 - Agir nos presídios.
O crime organizado se articula e capta
novos membros dentro das prisões. Braga Netto terá que elaborar ações para
evitar que detentos continuem a controlar o sistema prisional carioca.
Ele já mostrou que o Exército pode ser
usado para entrar em presídios com detectores de metais e cães para localizar e
apreender armas, telefones celulares e drogas.
Porém, será preciso também usar a
inteligência policial para ao menos dificultar as ações das facções criminosas
dentro dos presídios.
10 - Apreender armas e drogas.
O Rio também se destaca negativamente na
violência pela grande quantidade de armamento pesado em circulação. Autoridades
policiais estimam que mais de 3.000 fuzis estejam em poder do crime organizado.
A compra do armamento é realizada no
exterior com o dinheiro da venda de drogas. Por isso, mapear a rota de chegada
de armas e drogas até as facções criminosas é essencial para minar a
criminalidade no Estado.
As Forças Armadas já vêm fazendo bloqueios
surpresa em ruas e rodovias em três níveis: nas fronteiras do Estado, na região
dos subúrbios (na rodovia chamada Arco Metropolitano) e nos limites das favelas
mais perigosas. Mas isso não tem sido suficiente. Braga Netto terá que
encontrar formas de cortar ou ao menos diminuir esse fluxo ilegal.
Por detrás de todo esse aparato que será em breve midiático,
estão as figuras conhecidas da política nacional. Não podemos desprezar que
falham nas inúmeras vezes que tentam. Será por incompetência ou proposital?
Muito se fala em “NARCO-ESTADO”, isto é o crime que assumiu os poderes,
impedindo qualquer ação que chegue aos seus nomes, tornando alvos somente a
ponta, o traficante miserável que se e4ncanta com as benesses que o tráfico
pode lhes proporcionar.
Não adiante matar, existem milhares querendo ascender de
posição, não adianta só apreender armas, existe muito dinheiro para adquirir
mais, não adianta apreender as drogas, isso não diminui a oferta de sua “mercadoria”.
Tem que chegar onde está o dinheiro em quantidade! Nas contas “fantasmas” do
tráfico! É preciso capacitar a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro para
que faça o que faz hoje a Polícia Federal, rastrear as contas com dinheiro
ilícito, bloqueá-las e apreender o dinheiro. Mas isso não está incluso nas
ações, é um grande risco assim como tem sido para o que estão sendo presos pela
Lava Jato, né?

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