terça-feira, 6 de março de 2018

Aos cidadãos civis do Rio de Janeiro



Permitam-me revelar a outra face desta operação militar que alguns chamam de "GLO", traduzindo, a tal "Garantia da Lei e da Ordem", de um Estado falido, inseguro e que sucumbiu diante de tanto abandono e corrupção...

Tenho visto diversos vídeos nas redes sociais em que criticam as mais variadas ações militares dentro das comunidades, vielas e becos...

Deixem-me dizer que adentramos terrenos hostis, que não conhecemos as "tocas" da vagabundagem e que mesmo nos comprometendo em defender você com o sacrifício da nossa própria vida, tememos deixar esposas, maridos, filhos, pais e amigos sem o nosso convívio...


Temos instruções de tiro, somos forjados para o caos, mas sabemos que quando nos tornamos o alvo, ao sermos atingidos, o mesmo Estado quebrado que queremos consertar, abandonará nossos maiores amores, após entregar uma bandeira, em troca da nossa ausência em meio às honras fúnebres.

Quero que compreendam que as pessoas nos gravam porque sabem que não derramaremos sangue inocente mesmo sendo desrespeitados! 
Na favela, ninguém desrespeita o dono do morro, pois sabe que com ele não haverá negociação! 


Vagabundos não respeitam leis. Não cumprem o que determina a Constituição Federal! Constroem seus próprios tribunais e sentenciam pessoas a queimarem vivas dentro de pneus... Espancam sem gastar munição dando o tiro de misericórdia...
Marginais não dialogam pedindo respeito, simplesmente disparam seus fuzis, expulsam moradores de suas casas, são intolerantes, destroem terreiros de umbanda, impedem pessoas de professarem sua fé... Mas isto, ninguém quer comentar. Gravar homens de honra fardados em operações é fácil, difícil é fazer o mesmo com o poder paralelo! 


Sabem o porquê de nos vilipendiarem tanto? A resposta é simples e objetiva... Eles sabem que a lei que respeitamos, os protege!
Eles enviam crianças para ofenderem a tropa...
Eles colocam menores portando rádios de comunicação, e a cada novo passo rumo à repressão do caos, eles se antecipam às nossas ações... Eles informam por rádios o posicionamento da tropa... Com que intenção? A de matar os que trajam fardas! 
E nesta guerra louca e desenfreada, morre você, morrem bebês no útero, morrem adolescentes, morrem grávidas atingidas na cabeça...


Além de mergulharmos no caos, tivemos que ler a capa do Jornal Meia Hora que trazia moradores sendo identificados nas entradas das comunidades, enquanto nas ruas da Zona Sul, aparentemente livres da ocupação das Forças Armadas, reinava a paz pela ausência da nossa presença... Quanta ironia e maldade nesta capa! Perguntei-me que formação jornalística é esta em que se comparam realidades tão distintas e ao mesmo tempo tão semelhantes!?? O Rio é mesmo uma antítese!

Qual o problema em se identificar? Desde cedo fazem isto conosco! Quando nascemos, recebemos uma pulseira que nos identifica... Quando somos matriculados na escola, temos um número de chamada que nos identifica... Quando começamos a crescer, nossos pais nos levam para fazermos a primeira identidade e isto é motivo de orgulho... Temos CPF... Empresas têm CNPJ... Não há o que temer quando se anda certo!

Mas... Voltando à capa do tal jornal, que aliás, nem sei se posso me referir assim àquelas páginas mal redigidas, com um vocabulário que presta um desserviço à Língua Portuguesa. 
Primeiramente, o ângulo da foto na Zona Sul, não revela a ausência das ações das Forças Armadas na cidade, já que tropas não são estáticas e não permanecem à espera do melhor ângulo, para um fotógrafo medíocre as fotografar. Nosso trabalho não é para inglês ver! Ele é para o carioca SENTIR um pouco mais de paz! Nosso trabalho é para garantir o DIREITO CONSTITUCIONAL de IR e VIR!!!


Outra coisa, caros jornalistas, vocês já perderam o Tim Lopes, já viram o cinegrafista da Band sucumbir diante das lentes de diversas emissoras... Parem! De que lado vocês estão? VOCÊS, assim como nós, estão MORRENDO!

O profissional Gelson Domingos não teve nenhuma chance, mesmo com um colete à prova de balas o repórter foi atingido. 

Ainda no assunto da capa do tal "Meia-Hora"... A criminalidade precisa ser coibida no seu nascedouro!
As comunidades são cercadas de moradores honestos que nos tratam bem e respeitam... O que eles temem, é o traficante que os expulsa, é o vagabundo que vende drogas no seu portão, o traficante que não permite o diálogo, os seus templos religiosos destruídos por suas próprias mãos, enquanto um fuzil aponta para as suas cabeças sob a ameaça franca e real de serem mortos caso não neguem a sua fé. 
Isto, militares nunca farão!
Defendemos o Estado Democrático de Direito... Defendemos o Estado Laico!


Somos disciplinados e os vagabundos que trajam fardas, aos serem descobertos, envergonham nossa tropa e recebem de nós o desprezo e a resposta que merecem! Não adianta querer denegrir nossa imagem com raros casos isolados! Vermes infiltrados na tropa não fazem do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira, instituições de caráter duvidoso! Temos o respeito do cidadão de bem, porque ele sabe que somos a última esperança!
Vocês gravam vídeo com o "Gabriel o Pensador" questionando "que tiro foi esse?", mas se esquecem que ele também compôs "acende, puxa, prende e passa", e que são estes atos dos usuários de drogas, que financiam o caos interminável!


Quanto à judoca, medalhista olímpica, que tanto nos orgulha com sua medalha, esclarecemos que a abordagem policial é algo que deve ser feito nas vias expressas do nosso Estado. Isto visa à sua proteção! Esperamos que ela compreenda que defende o país quem conquista medalhas e quem combate o tráfico e a vagabundagem todos os dias, com a sutil diferença de que atletas treinam com a finalidade de superarem a si mesmo e aos seus adversários...
Militares das Forças Armadas, treinam para dar a vida para que outros possam viver... 

Preconceito foi ela omitir a "cumunidade" onde mora, Cidade de Deus, se referindo só a Jacarepaguá. Talvez porque na "cumunidade" ela sofra o que todos os moradores e visitantes sofrem, ter que piscar o faro, acender luz interna e se identificar dizendo aonde vai, tudo isso sob a mira de fuzis. Bem que ela podia também fazer um videozinho denunciando o que os traficantes fazem com os moradores.

Dia desses, me perguntei o que me fez escolher esta carreira, o que me fez casar com um igual e o que me faz incentivar tantos jovens a sonharem com esta atividade laborativa tão peculiar... A única resposta que encontrei é que não há nada mais nobre e gratificante do que lutar para que outros possam permanecer vivendo...
Foi assim...
É assim...
Sempre será assim!
Brasil acima de tudo, abaixo de DEUS!
Texto da Sgt Fernanda Gonçalves.

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