Nas décadas em que estive no serviço ativo da PMERJ vivenciei
muitos colegas partirem prematuramente, sendo mortos ao reagirem a um assalto a
ônibus ou num confronto com marginais. Em alguns casos fui eu que levei a
noticia a seus parentes, que aguardavam em casa a chegada de seu esposo, pai,
filho, irmão; Deus! Como era difícil me conter perante o sofrimento dessas
pessoas com a perda de seu ente querido. Lágrimas teimavam em escorrer de meus
olhos.
Hoje na Reserva, prestes a passar para a Reforma por estar
beirando os 60 anos, em casa essas mesmas lágrimas ainda teimam em escorrer. E
está difícil de conter! Tá difícil! Mais difícil por estar vendo um cenário
diferente, ao invés de ser uma morte vez ou outra, hoje é quase que
diariamente, chegando ao “atacado” de três em menos de 24 horas. Alguns dos que
estou vendo ser assassinado foram meus novatos, jovens que comigo tiveram seu
primeiro contato na sua formação, como o Sargento Barros morto num ataque de
traficantes na Favela Gogó da Ema em Belford Roxo.
Vou a toda manifestação pela vida do policial, mas vejo a ausência
dele. Nos poucos presentes, levando em conta o universo numérico dos
interessados, vejo inativos, vitimados, parentes e poucos da ativa, estes últimos
os maiores interessados que alguma mudança aconteça.
Reclamam das manifestações do PSOL pela morte da vereadora de
conduta duvidosa? Não deviam! Deviam é dar a pronta resposta respondendo como
eles ao chamado que estão fazendo, comparecer às manifestações marcadas e que
são de seu interesse. Eles, a esquerda, em particular o PSOL, não perdem uma
manifestação para acusar a PM, para pedir o fim da PM e até para disseminar o
ódio contra a PM.
Em protesto medíocre militantes do PSOL pedem o fim da PM
O quantitativo deles pode ser facilmente superado pela
presença maciça nossa, devemos atender ao chamado e não só ficar reclamando nas
redes sociais.
As cenas foram chocantes, assim como um policial agonizava em Manguinhos após ser baleado, sendo filmado pela população daquela comunidade
que não lhe socorreu, só incentivava o roubo de seu fuzil, as cenas dos
policiais mortos na Rocinha e Gogó da Ema foram filmadas por moradores que
também nada fizeram para providenciar socorro, somente queriam registrar a
agonia de quem está perdendo a vida.
A mídia se cala, a sociedade se cala, nós PMs nos calamos?
Não! Por favor! Por seus filhos, esposas/esposos, pais e mães gritem! Disseram
que o “Marechal”, um senhor da Rocinha, foi morto por bala perdida, NÃO! Ele
foi morto por traficantes logo depois de tentar proteger Felipe, o colocando
atrás de uma geladeira e entregando seu fuzil a outros PMs indicando sua
localização.
Eu sobrevivi, mas com certeza mais de uma centena não
sobreviverá este anos, como também 138 não sobreviveram ano passado e outros
mais não sobreviverão a 2019 se não tomarmos uma atitude. E a atitude é estar
presente aos milhares por nossa vidas! Se desta vez não atenderem, estarão
mostrando a sociedade que não se importam assim como ela também não vai se
importar e o partido assassino de policiais vai estar certo que estão no “caminho
certo”, matar policiais é a maneira mais rápida de extinguir a Polícia Militar.
Parte do meio artístico se manifesta por nós, eles esperam que nós também nos manifestemos com a maior prova de força que dispomos, nossa união!



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