segunda-feira, 9 de abril de 2018

EU (O PRETO) E A PMERJ


Ontem eu tive uma experiência que me deixou bastante nervoso e confesso até, com bastante medo.
Estava dirigindo por volta das 20:00 na Av. Pastor Martin Luther King Junior (o que estava fazendo ali também) na pista da esquerda quando olhei no retrovisor e vi uma carro da PM com o giroscópio ligado e o farol alto e piscando, pensei, deixa eu sair da frente para que eles possam passar.
Fui a pista da direita e dei passagem, mas eles não passaram, continuaram piscando e com a sirene ligada, pensei rapidamente, eles estão ordenando que eu pare!!!

Estava passando em frente a uma garagem de ônibus e rapidamente pisei no freio e encostei o carro, pensei que era algo simples e rotineiro, lembrei da documentação do carro e pensei “ainda bem que está em dia” https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/fd0/1/16/1f602.png
😂, achei que iria sair um policial "mal encarado" e iria pedir meus documentos e eu iria embora para casa.

Quando olho no retrovisor, o carro da policia parou a uma distância de 2 a 3 carros atrás do meu e os policiais estavam atrás do carro com as portas abertas, o transito todo parado e os fuzis apontados para mim, pensei, “opa, o negócio é um pouco mais sério...”

Imediatamente desliguei o carro, liguei as luzes internas e coloquei as mãos para fora do carro, ele gritou “sai do carro”, eu abri a porta lentamente e sai, levantei a minha camisa para mostrar que não estava armado.

Ele gritou “Esta sozinho?”, quando olhei ao redor, já haviam outros 4 policias com o fuzil apontado para minha direção e dando a volta, “cercando” o carro, gritei e respondi que sim, perguntei se ele queria que eu abrisse a porta traseira, ele disse que sim, mas a porta estava travada, falei, “vou entrar no carro para destravar a porta, por favor, tenha calma”, e assim o fiz.

A esta altura, o carro já estava cercado, com todas as armas apontadas em minha direção, eu pensando, não atira, não atira...

Perguntei, “vocês querem que eu abra as outras portas?”
Eles ordenaram que eu abrisse.
Lentamente dei a volta no carro e os outros apontaram a as armas em minha direção, abri as outras portas, deixando o carro então com as luzes internas acessas e com as 4 portas abertas.
Quando um dos que estavam cercando o carro viu que realmente eu estava sozinho, baixou a arma e se aproximou.
Perguntei se queria que abrisse a mala, ele disse que sim, abri a mesma e ai ele “baixou a guarda”, quando eu respirei aliviado e perguntei, em tom de tensão, “mas o que houve?”
Ele disse, uma ocorrência com um carro igual ao seu!!!
Me deu boa noite e voltou para junto dos outros colegas, eu entrei no carro pensando...
Bastava um deles apertar o gatilho e puff, já era.
Estava no local errado, na hora errada e com o carro errado.
Agradeço a DEUS pelo livramento e também aos policiais do PMERJ que fizeram uma abordagem dura, tensa, mas correta.
Quando você começou a ler este texto e se chegou até aqui, devia estar esperando aquele papo, porque eu, preto, fui maltratado pela polícia...
Pois isto é o que a mídia tenta colocar na nossa mente, quando tem um confronto entre policia e bandido e alguém morre de bala perdida, na nossa mente a primeira coisa que vem é que foi uma bala da polícia, pois é sempre o que tentam “dar a entender”.
Eu tomei um susto danado e como diria minha vó “caguei 1 quilo certinho”, mas os caras foram excepcionais em sua abordagem, foi tipo filme de TV.
Nós sempre paramos para pensar em nosso lado, mas pense no lado dos caras, ganhando pouco, com muitas das vezes o salario atrasado, tendo que enfrentar bandidos mais bem armados do que eles, sendo desmoralizados e envergonhados em todo tempo em suas condições terríveis de trabalho.
E se eu fosse o carro da ocorrência? E se tivesse cheio de bandidos abusados e prontos para “trocar tiros”?
Como deveria ser a abordagem? Tudo bem senhor? Boa noite? Desculpe incomoda-lo?
Foi uma situação desconfortável para todos, eu nunca vivi algo assim, mas os caras tem que passar por isso TODOS os dias, em uma cidade que cada vez esta pior.
Erros infelizmente acontecem (Graças a DEUS) eu não fui um desses, pois erros com vidas não se justificam, mas aqui no Rio, os caras acabam tendo que fazer isso talvez, muito mais vezes do que em outro lugar do mundo e assim, a probabilidade de erro acaba sendo uma das maiores.
Algum governante sério precisa fazer o trabalho bem feito para alterar esta realidade.
Mas este post não é para reclamar do “preto maltratado” e sim para enaltecer EXCELENTE trabalho feito por uma corporação que é menos valorizada do que deveria.
Apesar do medo que me causaram, PARABÉNS a PMERJ.


2 comentários:

  1. Hoje toda a população precisa dessas recomendações e instruções quando são abordados, tantos por Policiais, e mais ainda para os Meliantes,que diferente dos Policiais chegam com muita violência e até mesmo atirando sem o menor cuidado Ricardo Villette.
    Isso tudo é resultado de um estado de guerrilha urbana amigo !

    Abraços.

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