No ano de 2006, quando ainda na ativa da PMERJ, não eram
raros os convites para integrar milícias e com ofertas sedutoras de ganhos.
Naquela época as milícias eram compostas de agentes de
segurança e militares moradores das comunidades que não queriam o tráfico a
lhes apavorar todos os dias nem recrutando seus jovens. As baixas no tráfico
foram grandes, muitas áreas antes dominadas pelo tráfico foram tomadas e o
comércio de drogas foi proibido.
Lógico que uma milícia nesses moldes precisa de dinheiro,
muito dinheiro para se equipar, se armar e manter uma logística de guarda
permanente das áreas dominadas e, para isso, era imprescindível a contribuição
de moradores, a exploração de sinal de TV a cabo pirata e outras fontes de
renda.
Os “chefões” do tráfico, que não estão nas comunidades e sim
no Parlamento do Rio de Janeiro com suas assessorias, não gostaram nada da nova
modalidade de combate ao tráfico, precisavam fazer algo.
Marcelo Freixo e seus seguranças fortemente armados
Uma CPI foi proposta e colocada em prática, tendo indiciamento
de políticos, policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis. Foi o fim
da milícia contra o tráfico, os agentes públicos se afastaram sendo substituídos
pelos “pé inchado” que vislumbraram a possibilidade de auferir ganhos fáceis com o "mercado" em aberto.
Exploram os mesmos itens de antes, como também o transporte
alternativo e, quem ousar negar pagamento sofre as consequências. Os milicianos
de agora admitem o tráfico de drogas, de quem recebem comissões pelos negócios
na comunidade.
Diferente dos milicianos de ontem, os de hoje são viciados em
drogas, recrutando traficantes para comporem seu bando e exercerem o mesmo
terror sobre quem os contrariar.
Hoje, com visão diferente da época da CPI das milícias,
a Segurança Pública faz seus estudos e levantamento para, pelo menos
enfraquecer esta modalidade de facção criminosa. Num golpe só apreenderam 13 fuzis,
15 pistolas, 4 revolveres, carregadores, coletes a prova de balas, granadas e
10 veículos roubados. Tudo num sítio onde rolava uma festa sendo os policiais
recebidos a tiros. 159 pessoas presas.
Tal qual o que vemos nas ações contra o tráfico, os parentes
foram mobilizados para protestarem pela inocência de seus “mininos”, que
estavam num lugar recheado de gente armada até os dentes e com disposição de
reagir contra a polícia. Acredita que desconheciam o que acontecia naquele local? No minimo simpatizavam com os milicianos e desfrutavam do ilícito. Cabe a Justiça decidir que deve responder preso e quem deve ser solto.
Quatro homens, que foram mortos, protegeram a fuga do “chefe”,
um viciado que recruta traficantes para seu bando e autoriza o comercio de
drogas em seu domínio, Wellington da Silva Braga, vulgo Ecko.
Novamente voltamos ao início de tudo, só que desta vez com
uma “milícia” bem mais perigosa, disposta a matar agentes da lei, como também
qualquer um que se oponha a suas atividades ou que pelo menos desconfiem.




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