terça-feira, 10 de abril de 2018

Nada a perder.


No ano de 2006, quando ainda na ativa da PMERJ, não eram raros os convites para integrar milícias e com ofertas sedutoras de ganhos.


Naquela época as milícias eram compostas de agentes de segurança e militares moradores das comunidades que não queriam o tráfico a lhes apavorar todos os dias nem recrutando seus jovens. As baixas no tráfico foram grandes, muitas áreas antes dominadas pelo tráfico foram tomadas e o comércio de drogas foi proibido.

Lógico que uma milícia nesses moldes precisa de dinheiro, muito dinheiro para se equipar, se armar e manter uma logística de guarda permanente das áreas dominadas e, para isso, era imprescindível a contribuição de moradores, a exploração de sinal de TV a cabo pirata e outras fontes de renda.


Os “chefões” do tráfico, que não estão nas comunidades e sim no Parlamento do Rio de Janeiro com suas assessorias, não gostaram nada da nova modalidade de combate ao tráfico, precisavam fazer algo.

Marcelo Freixo e seus seguranças fortemente armados

Uma CPI foi proposta e colocada em prática, tendo indiciamento de políticos, policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis. Foi o fim da milícia contra o tráfico, os agentes públicos se afastaram sendo substituídos pelos “pé inchado” que vislumbraram a possibilidade de auferir ganhos fáceis com o "mercado" em aberto.

Exploram os mesmos itens de antes, como também o transporte alternativo e, quem ousar negar pagamento sofre as consequências. Os milicianos de agora admitem o tráfico de drogas, de quem recebem comissões pelos negócios na comunidade.

Diferente dos milicianos de ontem, os de hoje são viciados em drogas, recrutando traficantes para comporem seu bando e exercerem o mesmo terror sobre quem os contrariar.

Hoje, com visão diferente da época da CPI das milícias, a Segurança Pública faz seus estudos e levantamento para, pelo menos enfraquecer esta modalidade de facção criminosa. Num golpe só apreenderam 13 fuzis, 15 pistolas, 4 revolveres, carregadores, coletes a prova de balas, granadas e 10 veículos roubados. Tudo num sítio onde rolava uma festa sendo os policiais recebidos a tiros. 159 pessoas presas.


Tal qual o que vemos nas ações contra o tráfico, os parentes foram mobilizados para protestarem pela inocência de seus “mininos”, que estavam num lugar recheado de gente armada até os dentes e com disposição de reagir contra a polícia. Acredita que desconheciam o que acontecia naquele local? No minimo simpatizavam com os milicianos e desfrutavam do ilícito. Cabe a Justiça decidir que deve responder preso e quem deve ser solto.

Quatro homens, que foram mortos, protegeram a fuga do “chefe”, um viciado que recruta traficantes para seu bando e autoriza o comercio de drogas em seu domínio, Wellington da Silva Braga, vulgo Ecko.

Novamente voltamos ao início de tudo, só que desta vez com uma “milícia” bem mais perigosa, disposta a matar agentes da lei, como também qualquer um que se oponha a suas atividades ou que pelo menos desconfiem.

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