sexta-feira, 15 de junho de 2018

Os soldados que vieram de longe!


Os soldados brasileiros judeus participaram da guerra contra o 3º Reich em todas as frentes: na defesa do litoral brasileiro, na campanha anti-submarino e proteção de comboios no Atlântico Sul; e no Teatro de Operações Europeu, integrando a Força Expedicionária Brasileira, a FEB.Os judeus brasileiros eram filhos de imigrantes vindos de diversas partes do mundo, e que, na luta contra o Eixo na Europa, corriam um risco maior que os seus companheiros:

Sem dúvida, além da importante participação de descendestes de judeus filhos de imigrantes vindos do Marrocos, Rússia, Polônia etc, eles corriam além do risco de perecer em combate, o de serem capturados pelos alemães e executados sumariamente, ou do envio para os campos de extermínio (BLAJBERG, 2008, p.12)

Eram eles:

Abrahão Fainguelemt, Adio Novak, Alberto Chahon, Bernardo Stifelman, Boris Markenzon, Boris Schnaiderman, Carleto Bemerguy, Carlos Scliar, David Lavinski, David Leon Rodin, Edidio Guertzenstein, Elias Niremberg, Guilherme Bessa Filho, Heitor Sennes Pinto, Henrique Schaladowsky, Israel Hollmann, Israel Rosenthal, Jacob David Cohen, Jacob David Niskier, Jacob Gorender, Jacob Perelmann, Jacob Zveiter, José Segal, Leão Stambowsky, Marcos Cerkes, Marcos Galper, Maurício José Pinkusfeld, Melchisedech Affonso de Carvalho, Moises Gitz, Moyses Chahon, Pedro Kullok, Rafael Eshrique, Salli Szajnferber, Salomão Malina, Salomão Naslausky, Samuel Kicis, Samuel Miller, Samuel Safker, Samuel Soichet, Saul Antelman, Waldemar Rozental:

Foram 42 heróis judeus brasileiros, jovens e cheios de esperança que lutaram e voltaram ao Brasil após terem cumprido a missão cívica e heróica de defender a pátria, tornando-se mais tarde bem sucedidos nas diversas áreas de atuação. Talvez tenha sido fraca a divulgação deste fato! Foram todos heróis nacionais que suplantaram todos os riscos envolvidos e mereceram distinções. Levou-se 62 anos para serem reconhecidos nominalmente (BLAJBERG, 2008, p.16)
Distribuição pelas Forças Singulares:
Oficiais da Ativa: 5Oficiais R/2: 6Sargentos: 6Cabos e Soldados: 8
Exército Brasileiro – Defesa do Litoral:Oficiais: 2Sargentos: 2
TOTAL EXÉRCITO BRASILEIRO: 29 HOMENS.
Marinha do Brasil:Oficiais: 2Marinheiros: 2
Força Aérea Brasileira – FAB:Sargentos: 3
Marinha Mercante:Comandantes: 3Comissários e Outros: 3
TOTAL: 42 HOMENS
A Comunidade Judaica Brasileira apoiou o Esforço de Guerra do Brasil. O rabino Henrique Lemle correlacionando o sofrimento e perdas de vidas humanas na comunidade judaica européia e seus parentes, fez a seguinte afirmação em apoio aos Brasil em 1942: (…) “seus inimigos são nossos inimigos; seus sofrimentos são nossos sofrimentos; e suas vítimas são nossas vítimas”.
A Associação Beneficente Israelita contribuíram com uma considerável quantia em dinheiro por meio de uma coleta patrocinada pelos diretores Paulo Zandler e Marc Leitchic:

Propôs-se a formação de um corpo de voluntários composto de vítimas do nazi-fascismo para servir no momento atual, aos Governo e ao Brasil os quais poucos dias depois já começavam a inscrever-se nas listas particulares para tal fim. Nos primeiros dias o número de voluntários que já começavam a inscrever-se nas listas particulares para tal fim ultrapassava trezentos (BLAJBERG, 2008, p.27)

Israel Blajberg ainda comenta um pouco sobre o Museu dos Veteranos Judeus entre Tel-Aviv e Jerusalém, “o Museu eterniza a coragem e valentia de tantos veteranos judeus, em sua maioria americanos, canadenses e soviéticos”:

Até maio de 2005, o Museu de Latrun desconhecia que existem Veteranos Judeus Brasileiros da II Guerra Mundial. A Diretora do Centro de Informação de Latrun ficou surpresa ao saber que pelo menos 42 judeus brasileiros participaram da luta contra a Alemanha Nazista. E trata-se de uma israelense que fala português, já que é casada com um brasileiro (BLAJBERG, 2008, p 28-29).

Lembrando bem que, apenas um deles foi morto no período entre 1939-1945:

Maurício José Pinkusfeld. 2º Comissário da Marinha Mercante. O único herói Brasileiro Judeu na II Guerra Mundial que se sabe desaparecido em decorrência de operações bélicas. O mar foi o túmulo de um jovem sonhador. 2 nov 1924 – 16 ago 1945 (BLAJBERG, 2008, p.119).

Nenhuma evidência positiva que possa ser ou sido pertencente a comunidade judaica: Donald Cohen Marques, Israel Bona e Jacob Chafier Sobelman.
Segundo Blajberg (2008), Reynaldo Antonio de Borba não era judeu, mas seu nome foi incluído na relação dos homenageados, pois seus pais foram arrendatários de uma colônia da ICA (Jewish Colonization Association) em Quatro Irmãos – RS, que era uma colônia agrícola judaica
Miguel Grispan era soldado do 1º Batalhão de Guardas (Batalhão do Imperador), representou o Brasil na Parada da Vitória, Londres – 1946.
Segundo Raphael Gomide em um artigo escrito para a Folha Online, alguns desses pracinhas se tornaram personagens nacionais no pós-guerra:
Alguns se tornaram personagens nacionais, como o tenente Salomão Malina (presidente do PCB), o sargento Jacob Schnaidermann (tradutor, escritor e professor), o cabo Carlos Scliar (artista plástico) e o soldado Jacob Gorender (historiador).
Veja mais em:
BLAJBERG, Israel. Soldados que vieram de longe: os 42 heróis brasileiros judeus da 2ª guerra mundial. Resende, RJ: AHIMTB, 2008. 284 p.
Soldados judeus brasileiros temiam a morte na Segunda Guerra:www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u539704.shtml
Soldados Judeus na FEB. Comunidade TV:www.youtube.com/watch?v=2eaKHLbEF78
Colaborador: Derek Destito Vertino
Licenciado em História
Cursando Especialização em História Militar

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