segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Comprador diz que deu dinheiro vivo por imóvel de Flávio Bolsonaro.

Fala confirma versão do senador eleito; sequência de depósitos foi considerada suspeita.

O ex-atleta Fábio Guerra afirmou nessa segunda-feira (21) que pagou cerca de R$ 100 mil em dinheiro para Flávio Bolsonaro (PSL), senador eleito e filho do presidente Jair Bolsonaro. O valor foi para quitar parte da compra de um imóvel no Rio, segundo a Folha de S. Paulo. 
Fábio afirmou que fez os pagamentos em dinheiro aos poucos, à medida que foi recebendo. Os valores, diz, foram repassadas em junho e julho de 2017. O Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) considerou os depósitos suspeitos. O valor chega a R$ 96 mil. 
"Paguei em dinheiro porque havia recebido em dinheiro pela venda de outro apartamento. Como recebi aos poucos, fui pagando aos poucos", diz Guerra, que afirma que hoje em dia não tem contato com Flávio. 
Ontem, em entrevistas à TV Record e à Rede TV!, Flávio disse que recebeu o valor em dinheiro e ele mesmo depositou em sua conta. Foram 48 depósitos de R$ 2 mil em sequência. Ele fez as transações em uma agência na Alerj. O valor de R$ 2 mil é o limite para caixa eletrônico no Itaú, banco em que o senador eleito tem conta. "É o meu trabalho. É agência onde todo mundo vai fazer suas operações", explicou Flávio, sobre os depósitos serem feitos na Alerj - à época, ele era deputado do Rio.
Flávio não compareceu ao Ministério Público para prestar esclarecimentos. Na quinta-feira, 17, o senador eleito solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendesse o processo, com base no argumento de que ele já tinha sido diplomado senador, e que, por isso, a Corte Suprema deveria ser a responsável pelo processo. Luiz Fux, ministro plantonista do Supremo, suspendeu temporariamente a ação. No dia 1º de fevereiro, quando acaba o recesso do STF, o ministro Marco Aurélio Mello, relator do caso, deverá tomar uma decisão final.
"O ministro Marco Aurélio vai ver como estou sendo arbitrariamente lesado muito antes de ser ouvido. Não tenho dúvidas que o ministro Marco Aurélio, ao ver nulidades desse processo, vai tomar a decisão mais acertada", disse. Flávio ainda afirmou que vai "onde tiver que ir" para se defender. 

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