quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

O diabo veste farda?


O ano de 2019 começou com Jair Bolsonaro descendo do palanque e subindo a rampa do Palácio do Planalto. Aos poucos, o candidato se tornou o Presidente da República. Os desencontros administrativos das primeiras semanas e a postura dos novos ministros têm ocupado um grande espaço na mídia.

Nesse ambiente, uma questão é digna de análise: a militarização da administração pública. Tanto em âmbito federal como nos Estados é digno de nota a quantidade de militares que assumiram cargos na administração que normalmente eram destinados a civis. Na gestão Bolsonaro, os militares, que desde o período militar estavam discretamente lotados em áreas relativas a defesa e a segurança, passam a assumir pastas de outras áreas da administração. Para segmentos da sociedade, tal "militarização" é vista com desconfiança, um risco de retorno à "ditadura". Para outros, é salutar porque representa a "volta da moralidade".

No entanto, sem adentrar no mérito das teses acima, e sem juízo de valor sobre o resultado eleitoral, há um ponto que, por questão de justiça, não posso deixar de comentar. Ministros não se formam ministros, secretários não se formam secretários. Tivemos e temos ministros e secretários das mais diversas áreas profissionais, por que não militares?

Há anos advogo para militares e, além disso, em termos acadêmicos, escrevi tese sobre o tema. Fruto dessas duas experiências, posso apontar características dos militares que em geral podem contribuir, e muito, para a melhora da gestão da coisa pública, isso, claro, sem desmerecer outras carreiras profissionais.

O que os críticos esquecem é que a carreira exige do militar aprimoramento intelectual permanente, e aquele que resiste a esta exigência simplesmente não prospera na carreira. Desde as praças até oficiais superiores e generais, os cursos de aperfeiçoamento são constantes e periódicos. Aqui não é o espaço, mas como exemplo desta proposição basta olhar as exitosas universidades e escolas militares, que mesmo não deixando de serem quartéis, se destacam no quesito excelência.

Nos quartéis os protocolos são seguidos para que não haja desperdícios de tempo e recursos. Os prazos são cumpridos e metas cobradas. Como são balizados pela hierarquia e disciplina, os militares atribuem aos seus afazeres o sentido de missão e buscam realizá-la da melhor forma possível.

Todos militares que assumiram pastas no governo têm experiência administrativa, profundo conhecimento do Brasil e muitos anos de estudo financiados pelo tesouro. É mais do que justo que o país aproveite todo esse capital intelectual em prol de todos, até porque foi investido tempo e dinheiro público em suas formações.

É claro que o ethos (caráter moral) militar é próprio da caserna, e seria inconcebível impor às repartições públicas regimes tipicamente espartanos, mas é chegada a hora de deixarmos de olhar os militares com desconfiança para que todos, civis e militares, façam este país funcionar melhor.

Por Cristiano Hehr Garcia, doutor em Sociologia Política, mestre em Políticas Públicas e Processo, pós graduado em Direito Internacional, graduado em História e Direito.

5 comentários:

  1. Muito bem colocado ao final:" É chegada a hora de deixarmos de olhar os militares com desconfiança para que todos, civis e militares, façam este país funcionar melhor".

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  2. Só evitar o positivismo de Augusto Comte.

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  3. Prefiro os Militares no governo do que terroristas roubando o dinheiro público.

    JUNTOS SOMOS FORTES.

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  4. Achei muito proveitosa essa matéria já compartilhei em minhas redes sociais,espero que todos os leitores tirem um bom proveito desde já agradeço ao altor dessa matéria pelas palavras concordo plenamente em gênero e em número. Josivan junior de Santa Cruz do Capibaribe Pernambuco atirador desportivo do clubre de tiro do agreste CTA. Abraço a todos.

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  5. Muito bom comentário. Infelizmente muitos não querem preparar o Brasil para o futuro. Preferem roubar e serem roubados. Só penso que esta política norte americana e européia não trara melhorias ao povo. Continuaremos comprando os produtos chineses e koreanos das mãos indiretas CARÍSSIMOS óbvio que com um mercado de 220milhões de brasileiros merecíamos sair desta escravidão ABSURDA! ! Mas é précisa sacrifícar a ovelha. !.. para os lobos
    Luiz Woghall uniformes táticos

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