segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

O PAI, O FILHO E O MINISTRO "INFORMANTE"



Desde antes da posse, o vereador carioca Carlos Bolsonaro, filho do meio do presidente da República (e seu principal assessor pessoal durante toda a campanha), afirmava nas redes sociais que tinha gente no Núcleo do Governo que "jogava nas costas" e queria mesmo era ver seu pai morto, ou incapaz de governar. Aquelas declarações, inclusive, provocavam um mal estar em todos, pois não foram poucos os que imaginaram ser a tal "figura oculta" insinuada por Carlos o próprio vice-presidente Hamilton Mourão. Não era.


Tratava-se mesmo do advogado Gustavo Bebianno, que meses antes de Jair Bolsonaro ser anunciado oficialmente candidato a presidência, se aproximou do então deputado federal (eles não se conheciam antes), ganhou sua confiança ao ponto de ser alçado por ele à condição de presidente nacional do PSL durante a campanha, e - por fim - acabou nomeado para dirigir a importante Secretaria da Presidência, numa posição umbilicalmente ligada ao Chefe de Estado, peça chave no gabinete presidencial e pessoa a qual se incumbia total lealdade, respeito e sigilo sobre os atos do chefe. Apesar de sempre desconfiar da verdadeira lealdade de Bebianno para com seu pai, Carlos acatou silenciosamente a nomeação do advogado para o cargo, mas não baixou a guarda em suas investigações. Ocorre que ainda antes da posse e depois dela, alguns veículos da grande mídia (Globo, Veja, O Antagonista e outros) passaram a divulgar notícias que eram - vamos dizer - de caráter sigilosas do gabinete. Em certos casos verdadeiros "blefes", "ilações", "notícias inventadas", "fake news" mesmo, mas entre tantas, algumas REALMENTE VERDADEIRAS e que não deveriam ter sido vazadas. Isso explica, inclusive o porque daquela reação da semana passada, quando surpreendentemente Carlos Bolsonaro foi ao Twitter chamar Bebianno de mentiroso. O fez porque tinha descoberto, horas antes, que era exatamente Bebianno o vazador das notícias, o "INFORMANTE DO GABINETE", o parceiro de alguns veículos de imprensa infiltrado no Núcleo de Poder. 


Não à toa desde a semana passada, tão logo aconteceu o fato, todos os canais da Globo (TV, rádios, jornais e revistas), bem como a Veja e o Antagonista - exatamente os veículos de imprensa mais favorecidos pelas "fofocas" canalizadas pelo ministro informante, passaram a defender sua manutenção no cargo (desconsiderando o fato de haver contra ele a acusação de candidaturas laranjas, o que é um absurdo em se tratando de uma imprensa que se diz honesta). Bem como começaram a exigir que o presidente afastasse o seu filho Carlos das ações do Planalto. 


Acontece que Jair Bolsonaro pode parecer tolo, mas não é. Nem tolo, nem estabanado, como os adversários o acusam e até mesmo alguns aliados chegam a acreditar. Jair, desde o primeiro momento, e ainda dentro do hospital, sabia (pelo próprio filho) que vários áudios de suas conversas no WhatsApp com Bebianno haviam sido vazados para certos órgãos da imprensa pelo próprio Bebianno. Aquele áudio que CARLOS BOLSONARO publicou, com a voz do presidente afirmando a Bebianno "que não dava pra conversar naquele momento" não chegou as mãos de CARLOS pelo PAI, mas sim através de alguém que o havia recebido na rede e passado para o filho do meio do presidente. Ali estava a prova de que CARLOS sempre esteve certo e foi naquele momento que JAIR BOLSONARO resolveu demitir o ministro. Sim, quando permitiu que o filho publicasse o áudio, lá no meio da semana passada, é porque não tinha mais volta. Só não o demitiu na ocasião porque precisava conversar antes com os demais membros do chamado "núcleo duro" do Planalto (Mourão, Heleno, Onix) e explicar a eles, em detalhes, o que estava acontecendo, e isso ele só fez ontem. 


Enquanto a grande mídia fazia o maior estardalhaço, tripudiando em cima do filho do presidente; criando factoides de que Bolsonaro poderia ser levado para o buraco caso demitisse Bebianno; colocando em dúvida a própria capacidade do presidente em governar; e até mesmo os aliados, tanto do Planalto quanto do Congresso, comentavam para a imprensa que era preciso apagar o fogo mantendo Bebianno no poder, Jair Bolsonaro arregimentava mais algumas provas (outros áudios vazados pelo ministro/secretário, agenda de encontros com diretores da Globo, e mensagens encaminhadas a adversários) para chegar ontem no Planalto e jogar tudo em cima da mesa. E ainda por cima dar a cartada final: DEIXAR TRANSPARECER QUE O MINISTRO FICARIA, MOSTRAR FRAQUEZA, fazendo com que essa fosse a chamada principal do Jornal Nacional, da Revista Veja, Antagonista, Folha, Estadão e outros, e depois - na sequência - PRA MOSTRAR QUE NÃO PRECISA DA MÍDIA APARELHADA, dar o furo de reportagem ao SBT, anunciando que a demissão já está assinada e que vai ser publicada na próxima edição do Diário Oficial, na segunda-feira. Ou seja: BLEFOU pra mostrar ao BRASIL e, principalmente aos seus eleitores, que a chamada GRANDE MÍDIA, às vezes, por incompetência ou más intenções, é mentirosa e irresponsável, criando factoides ou divulgando "notícias" sem a confirmação oficial. Sem esperar que a verdadeira fonte se manifeste. 


Olha amigos, não sei como vai terminar este governo, e nem mesmo parei para analisar - seriamente - se Bolsonaro age corretamente, ou não, ao praticar essa política do "na cara dura", totalmente diferente do que se via antigamente com o famoso "afaga para apagar o fogo" ou "varre pra debaixo do tapete". O que sei é que o cara traiu a confiança do presidente. Era fonte da mídia especulativa pra inventar notinhas maldosas contra o governo. Acordem! Num primeiro momento, confesso, achei tudo aquilo muito estranho e até fui contra a atitude que me parecia intempestiva do Carlos Bolsonaro, mas hoje vejo que ele tinha razão. E como tinha.

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