quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Será novamente "falha humana"?


Não sou competente de direito para comentar este assunto, mas posso ser competente por direito de fazê-lo.

Sou usuário da Supervia sempre que preciso ir ao Centro do Rio de Janeiro, é um transporte rápido e sem os problemas de congestionamento existente nos sistemas de ônibus.

Noto por diversas vezes que usei o sistema ferroviário que um aviso é dado pela demora da saída da composição de uma estação com destino a outra, bem como paradas em sinais e ambos alertam que a composição aguarda liberação da via para prosseguir a viagem. 

Este aviso também é usado no Metrô, mantém distância de segurança entre as composições e certamente evita colisões do tipo que houve em São Cristóvão onde o maquinista infelizmente não resistiu e faleceu.

Por certo a Supervia vai emitir notas esquivando-se da culpa, mas como usuário, uma voz teima em me dizer que o sistema de segurança falhou! Além dos sinais existe a comunicação via rádio, onde o maquinista seria alertado sobre o impedimento de adentrar na estação de São Cristóvão, pelo motivo da plataforma estar ocupada por outra composição.

Toda essa parte dianteira em azul é de fibra de vidro, afixada no vagão.

A mídia se ocupa em frisar que devido a violência do impacto a cabine se desprendeu do chassi. Ora, é só visualizar uma composição destas, modernas, para ver que a cabine do maquinista, confeccionada em fibra de vidro, é só fixada por rebites na estrutura da carroceria.





E vamos seguindo sempre assim, a culpa sempre sendo jogada em profissionais experientes que sacrificam suas vidas com o desleixo de empresas nada idôneas. Lembram do bonde de Santa Tereza? o motorneiro perdeu sua vida pendurado na manete de freio que não funcionava, o Estado, administrador do sistema, tratou logo de jogar a culpa no profissional e depois veio a tona os remendos e gambiarras feitas no veículo acidentado.

Nelson Correa da Silva, motorneiro do bonde de Santa Tereza.

No dia a dia, onde pessoas são atingidas por balas perdidas, a culpa é sempre jogada na polícia, que possuem homens treinados na guerrilha urbana constante do Rio de Janeiro. Mas os narcotraficantes/terroristas nunca são responsabilizados pelos moradores das comunidades nem pela mídia, muito menos por políticos sabidamente ligados ao narcotráfico. Todos eles se unem e fazem grande empenho em responsabilizar o profissional experiente e bem treinado.

Num olhar mais crítico, observa-se que na estação de São Cristóvão a linha férrea é em curva, o que só permitiu a visualização de outra composição quando da entrada na plataforma, o que inviabilizou uma frenagem eficiente.

Maquinista Rodrigo Assumpção

A "investigação" por parte da Supervia e da AGETRANS seguirão e por meses aguardaremos o resultado, que certamente não será esclarecedor. Que tal uma perícia idônea em todo o sistema de segurança da operadora da malha ferroviária?

Viramos mais esta página, mas não há como aceitar inocência das empresas e culpabilidade dos profissionais.

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