quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Por que a esquerda defende o Irã, que enforca gays e oprime mulheres.


Nos dias que se seguiram ao ataque que matou o general iraniano Qassem Soleimani, a timeline dos brasileiros no Twitter foi inundada por posts em defesa do Irã — invariavelmente escritos por perfis “de esquerda”. Houve quem se colocasse do lado dos aiatolás com o argumento de que, supostamente, o Irã não teria atacado nenhum país nos últimos anos, ao contrário dos Estados Unidos. Outros mostravam-se horrorizados com o fato de o presidente americano Donald Trump ter ordenado o assassinato de um “legítimo” representante do governo de outro país.
Como já disse aqui, há motivos para criticar a ordem de Trump. Entre eles, a possibilidade de que a eliminação de Soleimani tenha o efeito contrário do que o esperado pelo governo americano. Em vez de evitar uma guerra, pode iniciar uma. Em vez de conter o avanço do Irã no Oriente Médio, pode ajudá-lo. Mas trata-se de um conflito de quatro décadas, esse entre Estados Unidos e Irã, e algumas decisões duras muitas vezes precisam ser tomadas.
Seria perfeitamente possível ficar só na crítica à decisão de matar Soleimani sem precisar partir para a defesa do Irã. Por alguma razão, porém, parte da esquerda brasileira não consegue ficar dentro desse limite.
Por que essa parcela da esquerda brasileira se vê aprisionada na máxima de que “o inimigo do meu inimigo é o meu amigo”, permitindo que o ódio a Trump e ao presidente Jair Bolsonaro (que se enxerga como discípulo do americano) a deixe cega para o que o regime iraniano representa de pior em relação a algumas das principais bandeiras da própria esquerda, como os direitos LGBT e o feminismo?
Para quem critica Bolsonaro por ser homofóbico e misógino, a simples ideia de passar a mão virtual na cabeça de um regime que oprime as mulheres e pune a homossexualidade com a forca deveria provocar repulsa. Mas não provoca.

Diogo Schelp

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